quarta-feira, 23 de maio de 2018

Falecimento de Fernando McDowell pode perpetuar piora do sistema de ônibus no RJ

No início desta semana, uma notícia ruim envolvendo o setor de transportes: o falecimento do engenheiro de transportes Fernando McDowell, uma das poucas mentes sensatas no transporte brasileiro e crítico do modismo de cutiritibanização do transporte, uma medida levada desnecessariamente ao país todo e alguns outros países e que têm contribuído para a piora no transporte por ser um modelo não adequado a todo o tipo de cidade.

Justamente por ser um crítico de um sistema ultra-festejado, mas que não pode ser encarado como uma única proposta de solução para a mobilidade urbana, é que seu falecimento deve ser encarado com alguma apreensão. McDowell seria uma esperança na melhoria do transporte da região metropolitana do Rio de Janeiro, hoje em explícita decadência.

McDowell seria o responsável por um projeto que melhoraria de forma significativa o transporte na região, desfazendo o deslumbrante erro de Eduardo Paes, que na verdade queria fazer um sistema que pudesse saltar aos olhos dos turistas da copa e das olimpíadas, servindo mais de promoção pessoal ao prefeito do RJ, que queria ser visto como um "Novo Pereira Passos", em referência ao prefeito que realizou gigantescas mudanças na cidade no início do século XX.

Morte de McDowell é morte gradual do transporte no RJ

O projeto de McDowell tornaria as linhas mais eficientes, observando a melhor logística entre a quantidade de carros, as suas características e a necessidade em relação ao cotidiano. Devolveria a identidade às empresas para facilitar a fiscalização e impedir a corrupção e a decadência. O sistema de 2010 imposto por Eduardo Paes foi aleatório e puramente estético, com a finalidade exclusiva de agradar turistas. O resultado é a decadência total do sistema e a extinção de várias empresas.

Como não há outro profissional interessado na melhoria real do transporte do Rio de Janeiro, o falecimento de McDowell sinaliza a manutenção do sistema decadente iniciado em 2010. Para os entusiastas cariocas, quase sempre alienados do mundo real e que ignoraram a morte do engenheiro, melhorias no transporte são apenas renovação de frota e colocação de aparelho de ar condicionado, TV e internet nos ônibus. Como isto está sendo feito, tudo parece bem aos olhos de quem só usa ônibus como entretenimento, tendo seu carrinho particular para circular aonde quiser.

A morte de qualquer ser humano é triste. Mais triste ainda é quando este ser humano seria responsável pela melhoria de muitos outros seres humanos. O transporte do Rio perde com o falecimento de Fernando McDowell. Ainda vamos penar muito para nos deslocarmos de um lugar ao outro na Região metropolitana do RJ. E não será a frescura do ar condicionado que esfriará as nossas mentes, esquentadas por causa de tantos transtornos no transporte local.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Observação: somente um membro deste blog pode postar um comentário.