sexta-feira, 24 de fevereiro de 2017

O fim da Padronização Visual Carioca e a Região Nordeste - Parte 1

Hoje vamos analisar o impacto do fim da pintura padronizada da capital do Rio de Janeiro nos sistemas da Região Nordeste. Ontem, unimos as regiões Norte e Centro-Oeste porque como eu conheço pouco do sistema das duas regiões, havia pouco o que falar. 

No caso do Nordeste, acontece o oposto. Conheço os sistemas, pelo menos em suas características superficiais, podendo falar alguma coisa a mais sobre eles. Como são muitos estados, decidi dividir em duas partes. 

Imagine a Região nordeste como um "L " de ponta-cabeça. Falaremos da parte que se alinha verticalmente, os estados entre o Rio Grande do Norte e a Bahia. Amanhã falaremos dos que se alinham verticalmente: Maranhão, Teresina e Ceará, que ultimamente tem se comportado de forma peculiar e de forma semelhante entre si.

As capitais do Rio Grande do Norte e de Sergipe não utilizam pintura padronizada, mantendo a diversidade visual em sua frota. O caso de Aracaju será analisado em uma postagem em separado, quando falaremos também da cidade baiana de Feira de Santana, a primeira a fazer uma licitação sem fardamento de pintura.

Salvador

Este estado pode ser falado com bom detalhamento, pois eu vivi por muitos anos no estado. Conheço bem o sistema de lá. Até mesmo sobre o sistema Integra, implantado após a minha saída de lá, tenho condições de falar pois me informei bastante sobre as suas características e conhecendo o sistema que havia antes, conheço também as origens do sistema atual.

Não vou ficar fazendo um histórico sobre o sistema de Salvador, pois essa não é a proposta desta postagem. Mas o que posso falar é que o sistema de Salvador, que se caracterizava em um sistema de lotes, se padronizou, mas em um sistema de três empresas-consórcio, sistema visto em cidades como Macaé e Porto Velho. 

O sistema de empresas-consórcio é bem peculiar. É diferente do sistema de empresas reunidas em um consórcio. A primeira vista não parece diferente, mas o que se nota no sistema de empresas-consórcio é que as empresas originais se extinguem após se reunirem em um consórcio, que passa a atuar como uma empresa, com CNPJ e estrutura próprios. A empresa-consórcio não é apenas um consórcio, como também é uma empresa e num sistema como este, há sim a identificação da empresa e o respeito maior pelo usuário que sabe muito bem quem opera em sua cidade.

Em Salvador são três empresas-consórcio: 
- Plataforma: serve a cidade baixa, parte da região do IAPI e o subúrbio ferroviário. É composto pelas empresas do grupo GEVAN (Joevanza): Joevanza, Axé, Praia Grande e Boa Viagem, que pertenciam a mesma família, mas com membros diferentes como donos. Para compor o consórcio, as empresas foram extintas e absorvidas pela Plataforma. A extinta Capital, que não pertence ao GEVAN, faria parte deste consórcio, pois a sua sede e boa parte de suas linhas tinham a ver com a área.
- Salvador Norte: Serve a orla, o centro, parte da região do IAPI e os bairros limítrofes com o município vizinho de Lauro de Freitas. É composto pelas empresas dissidentes da Vibemsa (Viação Beira-Mar S.A.), extinta em 1991: BTU, Verdemar, Rio Vermelho, Ondina e Central. Há quem chame a empresa de "Nova Vibemsa". A fusão se repetiu na versão metropolitana, fazendo surgir a BTM (Bahia Transportes Metropolitanos).
- Ótima Transportes: Também conhecida como OT Trans, ela opera o "miolo", Cabula, Cajazeiras e áreas próximas. É a única das três empresas-consórcio a não ser formada por empresas de um mesmo dono. Também é ela que receberia duas das empresas que foram extintas antes da licitação: Barramar e Vitral. É composta pelas empresas União (única do GEVAN fora da Plataforma), o grupo Modelo/São Cristovão, Transol e Expresso Vitória. Junto com a CCR, administra a moderníssima Estação Pirajá, localizada estrategicamente entre a rodovia BR 324 e a entrada da região de Cajazeiras.

Apesar do sistema ter surgido na onda da padronização carioca, creio que o fim do sistema na capital do Rio de Janeiro não influirá em nada. O novo sistema de Salvador é complexo, tem características próprias e observo que eliminou uma série de erros que havia antes no sistema de ônibus soteropolitano. Ficará como está, até porque, mesmo imperfeito (renovação de frota lenta, escassez de carros em muitas linhas, ônibus sem conforto e sem ar condicionado), o sistema tem tido muitos acertos.

Recife

Se há um sistema de ônibus do Nordeste a se sentir influenciado pelo sistema do Rio de Janeiro é o de Recife. Com características muitíssimo parecidas com o sistema do Rio de Janeiro (mas sem diferença entre frota municipal e metropolitana, como na Grande Vitória e na RMS de Aracaju, além de ter dois sistemas diferentes de corredores, o SEI e o Via Livre), incluindo o fato de estar em decadência após a padronização visual de sua frota, é bem possível, mas não provável, que retorne a diversidade visual caso o Rio cancele a sua padronização.

João Pessoa

Com padronização peculiar em que não se permite a identificação da empresa, apenas do consórcio - aparentemente a capital paraibana não utiliza o sistema de empresa-consórcio - certamente não se deixará influenciar pelo fim da padronização carioca.

Maceió

Seu sistema permitiu que empresas pudessem ser identificadas através da cor, já que a variação de cor segue critério de empresas, que não foram divididas em consórcios. Isso faz com que o sistema se comporte como se não houvesse padronização visual, o que dispensa o cancelamento do sistema caso o Rio de Janeiro cancele o seu.

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