sexta-feira, 29 de julho de 2016

Considerações sobre o BRT na mobilidade urbana

O Bus Rapid Transit (Trânsito de Ônibus Rápidos) é um sistema de transporte muito exaltado nos últimos anos. Embora criado para uma realidade de 40 anos atrás, ele está sendo vendido como novidade, talvez pela pouca capacidade dos brasileiros de procurarem uma alternativa. É um meio considerado barato e de aplicação imediata, embora seja ineficiente no resultado. Cumpre sua função de forma superficial, mas sempre fica a sensação de que ele é insuficiente para a melhoria plena da mobilidade urbana.

O BRT consiste em um sistema onde envolve articulados em vias longas e exclusivas e alimentadores que supostamente ligam as estações a locais onde os articulados não passariam. Foi criado para o sistema de Curitiba de 1974, embora os articulados propriamente ditos só começassem de fato a circular no final dos anos 70, 1979, creio.

Este tipo de modal agrada porque é pomposo. Brasileiros adoram estereótipos e pompas e o BRT satisfaz plenamente quem não está muito a fim de planejar soluções realmente eficientes para o deslocamento de pessoas. Além disso, o BRT é bonito, chama a atenção e é perfeito para que prefeituras e governos o utilizem para a propaganda de suas gestões políticas. 

O mito do BRT

Mas é um sistema que nunca pode ser considerado como única solução para a mobilidade urbana e também não foi feito para qualquer tipo de localidade. É este o erro dos entusiastas e defensores do BRT: achar que é a melhor e única solução de transporte para as grandes cidades. Quando a lógica possibilita uma infinidade de opções.

Para piorar, o BRT virou uma espécie de religião. Já li muitos textos defendendo o BRT com uma certa raiva, como se teimasse com a ideia de que só existe ele como solução de mobilidade. O fascínio em ver um belo articulado em estradas lindas, ativa os instintos, paralisa as mentes e faz com que as pessoas sejam seduzidas pela pompa oferecida por este tipo de transporte. É o que faz as pessoas preferirem um show com luzes e dançarinos a outro onde aparece apenas um homem sentado em uma banqueta com um violão.

O mais risível é que os maiores defensores do BRT são justamente as pessoas que não dependem desse tipo de transporte. A maioria por possuir automóvel. Outra mania tipicamente brasileira começa a aparecer: a de usar justificativas nobres para explicar a futilidade. Acham o BRT lindo, pomposo: o defendem por causa disso, mas na hora de justificar, enaltecem qualidades "técnicas" como um meio de preservar aquilo que só admiram esteticamente.

Mas não pensem que sou contra o BRT. Não, longe disso! Ele é válido apenas para algumas situações e em cidades preparadas (como Curitiba, Palmas, Aracaju e Feira de Santana, por exemplos) para receber este sistema. Cidades que tenham tanto as condições para sua implantação mais facilitadas e menos onerosas como também tenham problemas que não consigam ser solucionados por outros tipos de modal.

O que eu acho é que o BRT não é um sistema perfeito e que tem que se aplicado com o máximo de critério possível. Sei de cidades onde um conhecimento mínimo de logística e observação do cotidiano conseguem criar soluções mais simples e muito mais eficientes para melhoria da mobilidade. Mas são projetos sem pompa, ruins como propaganda governamental e que não enchem os olhos de quem procura um espetáculo no sistema de transporte.

Não cultuem o BRT.  Transformá-lo em uma panaceia para qualquer tipo de problema de mobilidade urbana é um grave erro que muita gente comete e o que faz o BRT ser um fracasso em muitas cidades que optaram pela pompa acima da logística como critério de utilização desse tipo de modal de deslocamento.

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