sexta-feira, 22 de janeiro de 2016

Pintura de ônibus deveria seguir o bom senso

A pintura padronizada imposta pelas secretarias de transporte para servir de propaganda pessoal das gestões de prefeituras tem servido de muita polêmica. Inspiradas em Curitiba, município criador da padronização visual, ela tem tirado da população o direito de conhecer de forma rápida e à distância as empresas operadoras que venceram as licitações.

As pinturas deveriam ser colocadas de acordo com as necessidades. Não há mal algum em colocar pinturas próprias para serviços diferenciados. mas linhas convencionais deveriam vir com a pintura própria das empresas pois a padronização neste caso, não tem qualquer tipo de serventia. Por exemplo, um serviço como Integração Metrô-Ônibus merecia ser destacado com pintura própria.


Vejamos o exemplo da Galo Branco. Aqui aparecem três fotos clicadas por mim com ônibus da mesma empresa. Primeiro, um Ideale 2015 com a pintura da própria empresa. Depois um Ideale 770 com a plotagem do São Gonçalo Shopping, fazendo serviço para o mesmo. E a seguir, um Apache IV operando linha municipal convencional com a pintura imposta pela secretaria de transportes da Prefeitura de São Gonçalo.

No caso do São Gonçalo Shopping - e deveria ser também em todos os serviços de fretamento - há a funcionalidade da pintura que identifica o serviço como não-convencional, prestado apenas em linhas que servem diretamente ao citado shopping. Há a necessidade de identificar o ônibus desta forma, assim como as de fretamento deveriam vir pintadas com as cores das empresas que servem.


Já o caso da linha municipal, a pintura padronizada só atrapalha, prejudicando a identificação da empresa e cortando a relação desta com o usuário, que passa a depender da nem sempre solícita secretaria de transportes para exigir um bom atendimento. O nome da cidade em letras garrafais (uma constante em padronizações visuais) é redundante e desnecessária, servindo de chacota para os usuários que, para os secretários de transporte, "não sabem" de onde são os ônibus que servem as linhas de seu município.


A pintura padronizada de secretarias de transporte não possui qualquer tipo de vantagem a favor do usuário. Servem apenas como forma de propaganda das prefeituras que resolveram não colocar a imagem das empresas licitadas nos anúncios de suas gestões vinculados nos meios de comunicação.

O que é estranho é que se dá o trabalho de lançar uma licitação para escolher as empresas, cria-se um complexo edital, faz-se exigências, julga o que cada empresa oferece, para depois no final da licitação as empresas escolhidas serem completamente escondidas da população (São Gonçalo pelo menos permitiu a paliativa ideia de permitir a logomarca de cada uma na pintura, o que não ajuda quando o ônibus é visto à distância), que votou nos prefeitos e tem o direito legal de conhecer de forma explícita as empresas que operam em sua cidade.

Feira de Santana, na Bahia, foi uma das poucas a fazer licitação e dispensar a pintura padronizada, que curiosamente sempre existiu na frota da cidade. O prefeito de Feira está de parabéns, pois isso mostrou ao mesmo tempo transparência de sua gestão e respeito com o cidadão, que tem todo o direito de identificar facilmente as suas empresas de ônibus. 

E vaias agressivas para o prefeito do Rio, Eduardo Paes, criador desse novo modismo e que teve a ideia infeliz e burra de pintar mais de 50 empresas com uma única pintura, com variações de cores pouco nítidas, se confundindo dependendo da iluminação. 

Autoritário como sugere o seu partido, o PMDB, Eduardo Paes deve pensar que ônibus e caminhão de gado deve ser a mesma coisa, já que se recusou a consultar a população se ela queria ver toda a frota com este deprimente tom cinza que simboliza a decadência do transporte não somente carioca, mas fluminense. Aliás, um transporte decadente para uma sociedade decadente. Nas palavras dele: "O povo que se vire!".

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Observação: somente um membro deste blog pode postar um comentário.