sexta-feira, 7 de novembro de 2014

Stand up Mobilidade Urbana



Ultimamente tem se falado no modismo das melhorias da mobilidade urbana. Mas as soluções propostas podem não resolver todos os problemas de mobilidade, deixando muitos usuários, sobretudo os que têm dificuldade de locomoção, na mão, ou melhor, a pé.

Acontece que o projeto proposto tem a intenção de impedir o fluxo de ônibus nos centros das cidades, numa espécie de caricatura do que acontece na Europa - lá existe planejamento para isso - obrigando muita gente a saltar bem longe de seus lugares-destino.

Muitas ruas são fechadas (como no Rio, Niterói e Salvador) e os ônibus ficam concentrados todos em um lugar só. Engarrafamentos e longas distâncias a serem percorridas pelos pedestres são os problemas dessa "mobilidade urbana" que virou um modismo. Será que só eu reparei nisso? Os defensores dessa mobilidade irresponsável deveriam se transformar em burros de carga e carregar nas costas quem não estiver disposto a andar longas distâncias.

Quando eu era criança, os ônibus eram espalhados pelo centro. Não havia engarrafamentos e havia opções já que sempre alguma linha parava perto do destino desejado. Não era necessário andar muito entre o saltar de um ônibus e a chegada ao lugar desejado.

Não acho positivo fechar ruas. Quanto mais opções de escoamento, melhor. E os planos de mobilidade urbana estão se esquecendo disso, muito mais projetados para ser uma caricatura de cidades europeias do que soluções para os problemas de trânsito. E olhe que o estímulo a não circulação de automóveis não faz parte desse plano.

Mesmo com BRTs, mobilidade favorece automóvel

No Brasil, automóvel é símbolo de status. É visto por quem tem como uma espécie de "atestado de valor pessoal", uma forma de se sentir valorizado. E as autoridades, gente que vive com status bem alto, não vai querer mexer no "direito" de "ser melhor do que os outros". Portanto, deixemos os automóveis como estão.

Não se ouve falar em algum plano para reduzir a frota de automóveis. Como a nossa lei é obrigada a respeitar o direito de "ir e vir", nada pode ser feito, além de educar as pessoas quando jovens a não ficarem escravas do automóvel. Mas não adianta, pois desde cedo a sociedade educa as pessoas a tratarem os automóveis como "extensões de seus corpos", muitas vezes razão de existir para muita gente.

E sinceramente, sem a redução de automóveis, o plano de mobilidade será inútil. Falam que o BRT irá estimular as pessoas a largarem seus carros em casa. Mas é difícil fazer com que uma pessoa largue espontaneamente o seu carro, já que nossa cultura supervaloriza o automóvel. Carro ainda é sinônimo de conforto e por mais que esforcem, um BRT sempre é menos confortável que um automóvel.

Já que as nossas leis não permitem obrigar as pessoas a largarem seus carros, a abertura de vias e a variedade de pontos e acessos para os ônibus seriam uma ótima solução. Fechar ruas e impedir os acessos, além de concentrar os ônibus em um só lugar é burrice.

Tomara que estudem melhor todo o projeto de mobilidade. Nem toda cidade é Curitiba. Curitiba só existe uma, e fica no Paraná. As outras cidades merecem outros projetos, personalizados, que respeitem suas características e não precisem de obras faraônicas bem caras para gastar muito dinheiro por causa de modismos.

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