terça-feira, 23 de setembro de 2014

40 anos do sistema BRT

Hoje, o superestimado sistema de ônibus articulados que roda em vias exclusivas completa 4 décadas de existência. Vendido como uma nova ideia, você nem sabia que esse sistema era tão antigo. E antiquado.

Lendo este texto, você deve estar pensando que eu odeio BRT. Nada disso. O BRT é uma boa ideia. Só não é uma ideia perfeita como querem vender por ai. Nem chega a ser o ideal, pois o BRT foi feito apenas para certas cidades e para problemas que podem ser resolvidos apenas por ele. Mas ele é largamente difundido por implementadores,defensores e admiradores como a ÚNICA solução do transporte brasileiro. Mas há quem diga que ele matou o ônibus.

A implantação do BRT tem sido bem desastrosa nas cidades brasileiras. Misto de incompetência, inexperiência e desnecessidade. Ninguém assume, mas três motivos fizeram as cidades a querer adotar o BRT como principal projeto de mobilidade:

- Falta de tempo e de disposição para fazer um plano logístico de redistribuição dos ônibus existentes;
- Vantagens estéticas fazem o BRT ser um projeto apresentável;
- Puro modismo: "Todo mundo adota, vou adotar também".

Se esquecem os defensores que o BRT não é perfeito. Tem muitas falhas. Uma delas é a de favorecer baldeações e obrigar passageiros a andarem muito para pagar ônibus. Nem os alimentadores conseguem dar conta, já que junto com o BRT as prefeituras cismaram de fechar ruas, numa espécie de caricatura da estética das cidades europeias, algo fora da realidade brasileira.

Autoridades querem aparecer e o BRT é um excelente projeto de publicidade de governos. Tanto é que ele eliminou a identificação das empresas operadoras, obrigando os veículos a virem com os nomes das prefeituras em letras enormes nas carrocerias dos ônibus. Tudo para atrair votos e mais votos e colocar os nomes das autoridades implementadoras na História. 

Mas os BRTs, criados na verdade para eliminar automóveis e não para "melhorar os ônibus" (eu considero o BRT um tipo de transporte à parte, diferente do sistema de ônibus convencional), só tem atendido as pessoas que já andavam de ônibus. 

Não conseguiu atrair uma nova demanda, desconfiada nessa encampação enrustida que transformou secretários de transporte em administradores de ônibus.  Quem tem boa memória sabe muito bem que o poder público é um desastre na hora de administrar o transporte, sucateando aos poucos os transportes encampados.

Mas ele está aí. Quiseram implantar, agora paciência. Engarrafamentos não acabaram, Ônibus cada vez piores, sucateados, Linhas diretas extintas e essa falsa caridade do bilhete único que deixa o transporte mais caro e obriga os beneficiados a se humilhar em filas para cadastro ou recarga e em torniquetes, torcendo para que o cartão seja lido e a biometria aceite a impressão digital apresentada.

Passageiro tratado e agindo como gado obediente satisfazendo as exigências de um sistema sócio-político-econômico cada vez mais cruel e restritivo. Quando na verdade deveria estar usufruindo um direito, com base em um compromisso firmado pelo poder público. Essa humilhação transforma esse compromisso numa espécie de "favor" e que todo o tipo de limitação a esse direito deve ser aceito de "bico calado".

Ônibus já foi bem melhor antes desse tal de BRT. Bastava apenas um melhor planejamento logístico que aproveitasse melhor os ônibus comuns, seus itinerários, as características dos carros e uma diversidade melhor de ruas onde deveriam rodar os ônibus (outro defeito do BRT é reunir todos os ônibus em um só lugar e nas mesmas vias). Menos gasto e muito mais eficiência, embora menos estética e pompa.

Se as pessoas fossem responsáveis em não usar automóvel o tempo todo (hoje é o dia do trânsito sem automóvel! Se liga!), não precisaríamos de uma grande minhoca a rodar em uma via só para ela, embelezando estradas, mas causando um caos no transporte como um todo, agradando apenas entusiastas e autoridades mas irritando o pobre usuário, já tão descrente do poder público cada vez mais incompetente e corrupto.

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