sábado, 11 de maio de 2013

Novo complexo de Viadutos na Av. Paralela, em Salvador

ESPREMENDO A LARANJA: A Avenida Paralela é a parte mais moderna de Salvador. É por aí que a cidade está crescendo. Muitos bairros são alimentados por essa importante avenida que surgiu no mesmo mês e ano em que eu nasci, em Março de 1971. Como conheço as características da avenida e os bairros servidos por ela, tenho a certeza de que estes viadutos são muito úteis para a melhoria do trânsito na redondeza, já sendo instalados bem tarde. Mas antes tarde do que nunca.

O Imbuí já me traz algumas lembranças interessantes, quando eu e meu irmão ficávamos sentados nas manhãs de sábado, numa escadaria próximo a passarela de pedestres para admirarmos os ônibus que passavam na citada avenida. Era gostoso. E depois íamos ao supermercado Extra que ficava próximo e fazíamos um lanche. Boas lembranças que ficariam melhores com a instalação desses modernos viadutos.


Novo complexo de Viadutos na Av.Paralela

Natália Aguiar e Alexandro Mota - Correio da Bahia 

A avenida considerada o principal gargalo do trânsito de Salvador tem boas chances de ter um futuro menos congestionado. Mais movimentada via da cidade, por onde passam 240 mil veículos diariamente, a Avenida Luiz Viana Filho, a Paralela, ganhará três novos viadutos e duas vias marginais.

Viadutos 1 e 2 vão permitir que os motoristas entrem e saiam do Imbuí sem pegar retornos na Paralela

A ordem de serviço para a execução do projeto foi assinada na manhã de ontem pelo governador Jaques Wagner, em solenidade no canteiro central da Avenida Jorge Amado (Imbuí). Com previsão de serem finalizadas em 10 meses, as obras vão custar R$ 75 milhões financiados pelo BNDES – Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social, além de outros R$ 20 milhões para fins de desapropriação. As obras devem começar ainda este mês.

Os três viadutos visam desafogar o tráfego da avenida, desatando um dos seus principais nós: o trecho em que a Paralela se encontra com o bairro do Imbuí. Segundo detalhou o diretor de Obras Estruturantes da Companhia de Desenvolvimento Urbano do Estado (Conder), Sérgio Silva, o viaduto 1, que terá 295 metros de extensão e 2 faixas, vai permitir que o motorista que sai do Imbuí, sentido Centro, caia direto na Paralela.

Na situação atual, para se fazer o mesmo percurso, o condutor tem que entrar na Paralela sentido aeroporto e fazer retorno à esquerda (próximo ao supermercado Extra). Com 415 metros e faixa mista (2 e 3 faixas), o viaduto 2 permitirá que o motorista deixe a Paralela, sentido Centro, pelo viaduto. Assim, ele dará acesso tanto ao Imbuí quanto à própria Paralela, servindo de retorno. Na situação atual, o motorista segue na Paralela até subir o viaduto Luis Eduardo Magalhães, desce novamente a Paralela para então chegar ao Imbuí.



O viaduto 3, que terá 172 metros e  2 faixas, vai ligar a Avenida Edgard Santos (nas proximidades da Coelba) ao Imbuí (próximo ao almoxarifado da Farmácia Santana), facilitando o acesso ao Cabula, Narandiba, Engomadeira e Tancredo Neves. Sérgio Silva ainda afirma que ali será construída uma via marginal, no sentido aeroporto. A outra, sentido Centro, próximo ao Condomínio Amazonas, passará por alargamento.

O diretor da Conder disse não ter como precisar a quantidade de carros que deixará de circular pela avenida com a construção dos viadutos. ”A maioria dos carros vai continuar passando pela Paralela. O que vai diminuir é o tempo e o percurso que vão precisar fazer”, argumenta. Desapropriações serão realizadas no canteiro central, na entrada de Narandiba e próximo ao Condomínio Amazonas e ao Imbuí. “Obviamente, com as devidas indenizações”, garante.

Economia

A analista de transporte e tráfego e especialista em mobilidade urbana Cristina Aragon calcula que os viadutos 1 e 2 vão proporcionar uma economia de 1,3 quilômetro em cada pista, o que equivale a uma redução de 2,6 quilômetros da distância percorrida. Cristina Aragon acredita que o viaduto 3, para quem vem do Iguatemi e quer pegar a Avenida Edgar Santos, vai trazer uma economia ainda maior: cerca de 4 quilômetros. “Isso implica em redução de combustível, menos impacto ambiental e menos congestionamento”, acredita.

Para a especialista, o principal benefício do projeto é evitar o entrecruzamento entre as pistas da própria Paralela e da avenida com outras vias, o que é causado por canteiros centrais e as interseções em nível, como as avenidas Jorge Amado e Orlando Gomes, por exemplo. Conforme explica, o motorista que retorna nos canteiros centrais muitas vezes precisa atravessar as faixas para usar as vias marginais. Com os viadutos, os condutores já sairão na faixa certa. “Reduzir esses entrecruzamentos é muito importante para o trânsito”, diz.

Cristina Aragon explica que a Paralela foi concebida para ser uma via expressa e acabou descaracterizada como tal. “Primeiro por esses retornos, mas também pelos postos de gasolina no canteiro central, que nunca deveria ser permitido e também pela falta de linhas marginais”, pontuou. “Mas a Paralela será realmente um local agradável quando tivermos ali transporte de qualidade, quando for melhor pegar o metrô do que ficar no congestionamento”, finaliza.

Especialistas elogiam, mas pedem prioridade para transporte público

A construção dos viadutos e ampliação das pistas marginais são obras necessárias, mas chegam com atraso e não vão solucionar o problema totalmente. Essa é a avaliação da analista de transporte e tráfego e especialista em mobilidade urbana Cristina Aragon.

“Solução só mesmo o transporte público de qualidade —  o metrô e suas linhas alimentadoras”, explica. “A Avenida Paralela já não comporta, como nunca deveria ter comportado, retornos no canteiro central. Esses retornos são responsáveis por parte desse congestionamento que a gente vê hoje. Os viadutos vão garantir melhor fluidez no tráfego de veículos”.

O professor de Urbanismo da Uneb Jorge Glauco Nascimento concorda com Aragon. “Para se pensar em mobilidade, tem que se pensar no transporte de massa”, analisa. Ele destaca que qualquer iniciativa para melhorar o trânsito em Salvador é “extremamente positiva”, mas pede que o governo olhe a cidade como um todo. “Vejo uma fixação do poder público com a Paralela”, diz.

O professor ainda ressalva que o governo precisa avaliar bem como serão feitas as obras e os transtornos que trarão para a cidade. “Como será equacionado esse nó?”, questiona. O governador Jaques Wagner destacou que, apesar dos transtornos, as obras são necessárias para melhorar a trafegabilidade na região. “Estamos num esforço com a prefeitura no sentido de melhorar a mobilidade urbana na cidade”, disse.

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