domingo, 21 de maio de 2017

Conheça o Túnel Charitas-Cafubá

Nos dias 10, 13 e 17 (os dois primeiros no lado de Charitas e o último no lado de Cafubá), eu estive conferindo pessoalmente e fotografando as partes externas do túnel Charitas-Cafubá, que liga o bairro da região de São Francisco (Charitas) a um dos primeiros bairros da chamada Região Oceânica,(Cafubá). A prefeitura atual considera a sua principal obra.

Apesar de ser uma obra extremamente importante, não é a única coisa a se fazer em Niterói, que tem um dos trânsitos mais caóticos que eu já vi. Mesmo assim, quem mora nas regiões citadas foi beneficiado por um acesso mais rápido que também pode melhorar a urbanização das citadas áreas.

Cliquei várias fotos, mas selecionei as 20 mais relevantes para esta postagem. A observar:

Lado Charitas (dias 10 e 13 de maio de 2017):
Foto 01 e 02: Externa do túnel do lado de Charitas.
Foto 03: Rótula na saída do túnel e que serve de retorno para os ônibus que servem o bairro.
Foto 04: Ônibus de piso baixo fazendo o trajeto do futuro BHLS em direção ao túnel.
Foto 05 e 06: Futura estação do ônibus BHLS em Charitas.
Foto 07 e 08: Parte interna do túnel no lado Charitas (OBS: no dia 17, não fui autorizado a fotografar o interior no lado Cafubá).
Foto 09: Ônibus de piso baixo indo à estação após sair do túnel.
Foto: 10: Cartaz de propaganda sobre o túnel colocada na rótula de retorno.

Lado Cafubá (dia 17 de maio de 2017):
Foto 11: Ônibus de piso baixo no principal largo de acesso ao bairro.
Fotos 12, 13, 14 e 15: Via do BHLS em parte de sua extensão.
Foto 16: Placa eletrônica que avisa a situação de trânsito no túnel.
Foto 17: Ônibus intermunicipal fazendo linha para a capital, em direção ao túnel, após fazer "escala" em Cafubá.
Foto 18: Canteiro de obras do túnel.
Fotos 19 e 20: Externa do túnel no lado de Cafubá.











sexta-feira, 5 de maio de 2017

Amparo adquire seu primeiro urbano com ar condicionado

Desde os anos 70, no Brasil, ônibus em linhas regulares municipais e metropolitanos passaram a ter veículos equipados com ar condicionado. Mas era uma exclusividade de carros rodoviários, aqueles ônibus com uma porta e poltronas que são fabricados para linhas de longa e média distância. No final da década de 90, foi permitido para que ônibus urbanos também pudessem ter ar condicionado, como ocorre em países mais desenvolvidos.

O Rio de Janeiro foi e é ainda o estado que mais tem ônibus urbano com ar condicionado. Pouquíssimas empresas ainda não tem urbanos refrigerados. Algumas cidades ainda não autorizaram o equipamento para frotas municipais, como em São Gonçalo. mesmo assim, a refrigeração dos ônibus urbanos no Rio de Janeiro segue constante e crescendo gradativamente.

Uma das poucas empresas que ainda não tinha equipado a frota urbana com ar condicionado foi a Amparo, de Maricá. Nos anos 80 nem mesmo a sua frota rodoviária era refrigerada. Apenas a frota rodoviária, que foi se ampliando com rapidez, com várias linhas para o centro do Rio, adquiriu, ainda no final dos anos 90, carros refrigerados.

Mas algo observado com relativa discrição no Ônibus Brasil, fotografado pelo busólogo Matheus Lucas mostrou uma grande novidade na empresa: após anos, desde que as empresas passaram a equipar urbanos com aparelhos de ar condicionado, a Amparo apresenta seu primeiro urbano refrigerado.

É um carro da Apache Vip IV, modelo da encarroçadora CAIO, com motorização Mercedes Benz 1721L como nas aquisições mais recentes. A diferença é a refrigeração no salão de passageiros. Nenhuma informação a mais sobre o carro foi publicada. O carro fotografado, ainda sem número, continua em Botucatu, sede da encarroçadora.

A Amparo é uma das melhores empresas da região metropolitana do Rio de Janeiro. Seus carros são conservadíssimos e suas linhas tem uma enorme quantidade de carros, reduzindo bastante o tempo de espera nos pontos. A aquisição do refrigerado vai melhorar o que já era considerado excelente. Os usuários e admiradores da empresa, especialmente os moradores de Maricá, sede da empresa, comemoram e agradecem.

domingo, 30 de abril de 2017

Belas aquisições para Niterói

Hoje vou falar como entusiasta, mas sem deixar de lado a minha condição de usuário. Duas grandes novidades estão chegando para Niterói e a curto prazo poderei ver pessoalmente e registrar com fotos próprias. Para esta postagem, utilizo fotos de outros entusiastas, Marcus Perez Correa e Matheus Henrique, manifestando meu respeito através da preservação dos créditos.

A primeira novidade é a renovação da Transoceânico, através de sua divisão, a "Fortaleza", que estava sem renovar desde 2013 (as outras divisões da Transoceânico continuavam renovando). A novidade ficou por conta da variação de carroceria e chassis, recebendo cerca de 5 Neobus Mega Plus com chassis Mercedes Benz. A empresa era freguesa da CAIO e montava seus ônibus sobre chassis Volkswagen. 

Os carros da Transoceânico vem equipados com ar condicionado e o seu elevador para deficientes é um pouco diferente, com uma porta pequena embaixo da porta do meio, em folha única, de onde sai o equipamento para a montagem do elevador, que é montado e desmontado, sem prejudicar o espaço interno do ônibus. Os carros estarão reservados para a linha 53 (Viradouro-Centro) e devem substituir os Busscar Ecoss de uma porta e sem elevador, comprados quando eu ainda morava em Salvador.

Parceira da Marcopolo durante décadas, Mauá compra CAIO

A outra novidade, apesar de não envolver mudança de chassis, é ainda mais impactante. A Mauá, tradicional compradora da Marcopolo, a ponto de criar. junto com a encarroçadora. uma versão popular para o Viale, modelo que saiu de cena ano retrasado, chega agora com seus primeiros CAIO Apache Vip IV, mantendo o chassis Mercedes 1721 das últimas aquisições.

Apesar da empresa ser gonçalense, a linha a receber os carros é a que liga o centro de Niterói ao centro do Rio, a 101, provavelmente transferindo os Torinos 2014 para os setores SG/Rio (Méier e Campo Grade), que deverão perder os últimos Viales encerrando de vez a presença da estimada carroceria na empresa.

A última vez que a Mauá comprou CAIO foi nos anos 70, na verdade recebendo carros das empresas que comprou, como a Expresso Alcântara (que servia as linhas SG/Rio que mencionei) e a Floresta (das linhas para Amendoeira e Jóquei). Eram modelos da Bela Vista e da Gabriela II. Há uma foto de um Mauá municipal com o primeiro modelo, alterado com máscara de Gabriela.

Como eu disse, estas duas aquisições serão vistas por mim pessoalmente a curto prazo e poderei fazer fotos próprias delas. Agradeço a Marcus e Matheus por terem feito tais registros dessas grandes novidades.

segunda-feira, 10 de abril de 2017

"Novos" sistemas de ônibus visavam somente copa e olimpíada

Lembram quando foi anunciada a revolução dos sistemas de ônibus pelo país, inspirados no exemplo de Curitiba, que prometeriam modernizar radicalmente os sistemas de ônibus por todo o país? Nos últimos anos verificou-se que o modelo anunciado, que apenas foi implantado parcialmente, sendo aos poucos desmontado. 

Além de empresas se livrarem de carros em configuração avançada, várias obras e implantações se encontram inacabadas ou foram canceladas ou diminuídas. Várias empresas, como a 1001, a São Silvestre e a Pendotiba venderam carros de piso baixo (que chegou a ser anunciado para ser implantado para toda a frota intermunicipal), num sinal de evidente retrocesso. Mas porque assim de repente, todo o avanço prometido começa a ser desfeito?

Raciocinando bem, observando os prazos, percebe-se que toda aquela conversa de que os sistemas iriam ser bastante avançados tinha muito a ver com a copa e olimpíadas, como forma de enganar os turistas para que estes pensassem que os sistemas de ônibus no Brasil eram evoluídos. Com o fim dos eventos, as autoridades e empresários entenderam que não seria mais necessário estes avanços e tudo foi para o ralo, de volta aos desconfortáveis "caminhões" de motorização dianteira. Lembra muito a estória da Gata Borralheira e da carruagem que vira abóbora após o fim da festa.

É um baita retrocesso e uma revelação de que fomos todos enganados, entusiastas e usuários de transportes. cada dia que passa, os sistemas pioram e fica cada vez mais complicado utilizar os sistemas de transporte coletivo. Se não bastasse a utilização de cartões-pegadinha com prazos limitados e processos humilhantes de recarregamento para tentar baratear a sua utilização. Com isso tem-se a certeza de que as autoridades governam para quem tem carro e para felizardos donos de automóveis sempre há todo o respeito a utilização de transporte particular.

Já para quem não possui carro, o direito de ir e vir supostamente garantido de lei, passa a não ter mais valor. No país do golpe jurídico, nenhum tipo de delito praticado por autoridades se torna impossível de se praticar sem punição. O cidadão que se vire se quiser viver com uma precária dignidade.

domingo, 26 de fevereiro de 2017

Os louváveis casos de Aracaju e de Feira de Santana

Encerrada nossa análise sobre que poderá ou não cancelar a sua pintura padronizada pelo país, hoje vamos a dois casos em que houve o retorno da diversidade visual que permite a identificação de empresas por meio de pinturas personalizadas: Aracaju, em Sergipe e Feira de Santana, na Bahia.

Vou também falar um pouco da minha cidade-natal, Florianópolis, que retomou a diversidade visual na década de 90 mas retomou o fardamento no início da década de 2010 com um sistema que cancelou qualquer forma de identificação das empresas, informação secretamente exclusiva nas mãos de autoridades e entusiastas, compulsoriamente omitida para a população.

Porque padronizar a pintura dos ônibus?

Para início de conversa, faço esta pergunta para responder o porquê da intenção da maioria das gestões do transporte em impor o fardamento dos ônibus em cada cidade. A coisa é meio complexa, mas não difícil de entender. Vamos lá.

No Brasil, o sistema de ônibus de cada município se dá por meio de concessão. O sistema em si é público, mas operado por empresas privadas. Já se tentou criar empresas públicas de transporte, mas em todos os casos, até onde eu sei, a iniciativa fracassou. As autoridades encontraram outra ideia para deixar claro a população o fato de que quem está oferecendo o transporte é o poder público e não as empresas privadas, que são apenas operadoras contratadas do sistema.

Como operadoras do sistema de concessão, as empresas atuam como pessoa jurídicas que se tornam funcionárias da prefeitura. E como tais, devem usar uniforme da prefeitura. Em Curitiba, no ano de 1974, no auge da ditadura militar, Jaime Lerner, criador do sistema, decidiu colocar uniforme nos ônibus, inspirado nos veículos militares, com um número do lado e o nome da cidade em destaque. Criou-se a pintura padronizada, onde a empresa perde o direito de expor a sua marca ao público usuário.

Inspirado neste caso, Eduardo Paes, então prefeito do Rio, acreditando no estigma de "melhor sistema" consagrado pela capital paranaense - hoje palco da parcial operação político-jurídica Lava Jato  e cidade onde o fascismo cresce de forma alarmante - em 2010, decidiu implantar a pintura padronizada na frota carioca, dando início a pior fase do transporte na capital fluminense, hoje em séria crise econômica, política e cultural.

Claro que o fardamento não é indispensável. Em 1992, Salvador colocou o logo da prefeitura na pintura individualizada dos ônibus, em respeito à diversidade visual e aos usuários que desejam saber quem opera os ônibus em sua cidade, mesmo que seja em nome da prefeitura local. Ou seja, seria ideal que não houvesse padronização, como um funcionário que só precisa de um crachá para ser identificado como funcionário.

A diversidade visual de Aracaju

Aracaju, junto com a região metropolitana de Sergipe, tem um sistema de ônibus bastante organizado, mesmo tendo uma pintura de frota bastante diversificada. Até poucos anos tinha a pintura padronizada, mas com variação de cor por empresa e destaque para a logomarca de cada uma. Mas hoje, cada empresa tem a sua própria pintura, bem diversa uma da outra. O BRT tem pintura própria, mas destacando o nome da empresa na lataria.

O curioso que para compensar a diversidade visual dos ônibus, os funcionários de qualquer empresa é que tiveram a uniformização padronizada. Todos os funcionários, seja de qualquer empresa, na capital sergipana, usam exatamente o mesmo uniforme, com a logomarca da empresa colocada discretamente.

Feira de Santana: primeira licitação sem fardamento

Feira de Santana pode se gabar de ser a primeira cidade, e por enquanto a única, do país a entrar na nova onda de licitações sem impor um fardamento que destacasse o  sistema em si e não a empresa. Mas quase não iria ser assim.

Adotante da pintura padronizada por muitos anos, no anúncio de sua nova licitação, poucos anos atrás, houve um boato de que a pintura seguiria critério parecido com Curitiba, com cor mudado de acordo com o tipo de serviço. Houve outro boato de que entusiastas seriam os responsáveis por criar as tais pinturas. Não deu nem uma coisa, nem outra.

Com a vitória da licitação, as empresas vencedoras, duas famosas empresas paulistas, Rosa, de Tatuí (que opera fretamento em Niterói) e São João Votorantim, de Votorantim, foram liberadas para colocarem as suas próprias pinturas em suas frotas.

Isso fez com que o sistema de Feira de Santana fosse o primeiro sistema pós-2010 a dispensar da exigência de licitação a imposição de uma pintura criada a pedido do sistema de transportes. A Rosa escolheu como pintura uma alteração leve da estampa que utiliza em Tatuí. A São João Votorentim optou por criar uma inédita, muito bonita por sinal. 

Aliás,a s duas pinturas são lindas, enchendo de beleza as ruas da já bela Feira de Santana. Hoje a cidade baiana segue firme com a sua diversidade visual, permitindo ao usuário o conhecimento das vencedoras da licitação feirense.

Florianópolis - o cancelamento de algo que deu certo

Tem gente que não raciocina direito. Não raramente alguém, com intenções de se igualar a outrem, desiste de uma boa ideia, com sucesso garantido e adota outra, logicamente destinada ao fracasso. Foi o caso de Florianópolis, a capital catarinense, que nos anos 90 aboliu a pintura padronizada para retomá-la em 2011, de forma bastante anti-democrática.

O sistema tem cerca de 5 empresas municipais. Até o final dos anos 80, havia uma padronização visual que, como no caso de Aracaju na mesma época, a cor variava conforme a empresa. Nos anos 90, esta padronização foi cancelada e as empresas passaram a adotar a diversidade visual, cada uma com pintura e logomarcas bastante diversas. Foi um sucesso!

Mas em meados de 2011, nas intenções claras de imitar o sistema do Rio de Janeiro, a capital catarinense resolveu cancelar a diversidade visual e reuniu as empresas em um confuso balaio de gatos chamado "Consórcio Fênix", com uma só pintura, plagiada da cidade paulista de Limeira e sem qualquer forma de identificação de cada empresa, do contrário da padronização encerrada nos anos 90.

Mostra que em prol de um modismo, pode se adotar ideias fracassadas que não ajudam em nada na melhoria do sistema e escondem do usuário que paga tanto a prefeitura (por meio de impostos) quanto o sistema (pelo pagamento da passagem), o direito de se informar sobre as empresas licitadas que operam em sua cidade.

sábado, 25 de fevereiro de 2017

O fim da Padronização Visual Carioca e a Região Nordeste - Parte 2

Hoje voltamos com a segunda parte da postagem que fala sobre os sistemas de ônibus da Região Nordeste. 

Nesta postagem, vamos mostrar se o possível  fim da padronização carioca irá influenciar nos sistemas das capitais dos estados nordestinos alinhados horizontalmente no mapa: Fortaleza, São Luiz e Teresina. 

Sabe-se que nenhuma das três pretendem eliminar a sua pintura padronizada, por causa das características implantadas que podem associar o fardamento ao progresso qualitativo dos sistemas das cidades mencionadas. 

Fortaleza

A capital nordestina pioneira em adotar a pintura padronizada, tendo usado o fardamento da frota por muitos anos, adotou recentemente a sua terceira estampa de padronização, criada pela mesma equipe responsável pela estampa dos padronizados de Niterói, cidade onde eu moro. Sua pintura atual, logo atrás de Rio Branco, é a mais bonita entre as pinturas padronizadas nas capitais do país.

Muito provavelmente ela não cancelará a sua pintura padronizada, que apesar de não oferecer variação - nem o BRT de Fortaleza tem pintura diferente - permite identificação da empresa por meio de logomarca, como acontece em São Gonçalo, vizinha a Niterói. Aliás, é a única das três a permitir a identificação de empresas, já que em São Luiz e Teresina, sequer o nome da empresa aparece em letras pequenas, como é em algumas cidades pelo país.

Um ponto a observar - e isso vale também para as outras duas capitais analisadas nesta postagem - é o que coincidentemente com a pintura, aconteceram uma séria de melhorias bastante significativas nos sistemas. Fortaleza, por exemplo, lançou a ideia de frota 100% refrigerada, meta que está sendo cumprida aos poucos. A renovação de frota tem ocorrido de forma bastante acelerada, sendo a capital nordestina com renovação mais rápida de frota.

Tais fatores de melhoria, mesmo que sejam apenas coincidentes, vieram junto com a padronização visual e ao entender de público e entusiastas, a estampa de pintura ficou associada à melhoria do sistema - do contrário que a do Rio de Janeiro, cuja pintura ficou associada a piora do sistema - o que deve estabilizar a padronização visual.

São Luiz

Dividido em lotes, o sistema, que antes da licitação, era padronizada, mas destacava a logomarca da empresa, testou vários tipos de pintura após a licitação mais recente que foi inspirada no exemplo carioca. Hoje ostenta uma pintura com amarelo-limão pintado em toda a lataria, com destaque para o nome da cidade (característica da maioria dos sistemas padronizados e que é inspirado no exemplo de Curitiba), sem qualquer forma de identificação das empresas pelo usuário.

Apesar de não ter divulgada a intenção de refrigerar a frota, hoje a renovação de frota prioriza carros refrigerados, incluindo carros articulados que operam junto com o resto do sistema - não como um BRT separado do resto da frota. As melhorias também fazem com que a pintura atual seja associada a esse bom momento do transporte ludovicense, o que deve fazer com que a pintura padronizada não seja cancelada.

Teresina

Adotada na mesma semana que foi implantada a pintura padronizada no Rio de Janeiro, a pintura de Teresina não deverá mudar, pelo mesmo motivo das outras duas capitais observadas nesta postagem. 

Com sensíveis melhorias em seu sistema, deve manter a sua pintura, com o mesmo verde que era tradicional na empresa carioca Rodoviário Matias, com faixas verticais de cores que variam com o consórcio e nenhuma forma de identificação das empresas. 

Um carro pintado com prata no lugar de verde está sendo testado em Teresina, mas não fui informado se a pintura mudará para esta estampa, que é mais bonita que a de cor verde. Mas certamente, Teresina não voltará a adotar a diversidade visual, apesar de ter adotado praticamente junto com o sistema carioca prestes a retomar a diversidade visual de sua frota de ônibus.

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2017

O fim da Padronização Visual Carioca e a Região Nordeste - Parte 1

Hoje vamos analisar o impacto do fim da pintura padronizada da capital do Rio de Janeiro nos sistemas da Região Nordeste. Ontem, unimos as regiões Norte e Centro-Oeste porque como eu conheço pouco do sistema das duas regiões, havia pouco o que falar. 

No caso do Nordeste, acontece o oposto. Conheço os sistemas, pelo menos em suas características superficiais, podendo falar alguma coisa a mais sobre eles. Como são muitos estados, decidi dividir em duas partes. 

Imagine a Região nordeste como um "L " de ponta-cabeça. Falaremos da parte que se alinha verticalmente, os estados entre o Rio Grande do Norte e a Bahia. Amanhã falaremos dos que se alinham verticalmente: Maranhão, Teresina e Ceará, que ultimamente tem se comportado de forma peculiar e de forma semelhante entre si.

As capitais do Rio Grande do Norte e de Sergipe não utilizam pintura padronizada, mantendo a diversidade visual em sua frota. O caso de Aracaju será analisado em uma postagem em separado, quando falaremos também da cidade baiana de Feira de Santana, a primeira a fazer uma licitação sem fardamento de pintura.

Salvador

Este estado pode ser falado com bom detalhamento, pois eu vivi por muitos anos no estado. Conheço bem o sistema de lá. Até mesmo sobre o sistema Integra, implantado após a minha saída de lá, tenho condições de falar pois me informei bastante sobre as suas características e conhecendo o sistema que havia antes, conheço também as origens do sistema atual.

Não vou ficar fazendo um histórico sobre o sistema de Salvador, pois essa não é a proposta desta postagem. Mas o que posso falar é que o sistema de Salvador, que se caracterizava em um sistema de lotes, se padronizou, mas em um sistema de três empresas-consórcio, sistema visto em cidades como Macaé e Porto Velho. 

O sistema de empresas-consórcio é bem peculiar. É diferente do sistema de empresas reunidas em um consórcio. A primeira vista não parece diferente, mas o que se nota no sistema de empresas-consórcio é que as empresas originais se extinguem após se reunirem em um consórcio, que passa a atuar como uma empresa, com CNPJ e estrutura próprios. A empresa-consórcio não é apenas um consórcio, como também é uma empresa e num sistema como este, há sim a identificação da empresa e o respeito maior pelo usuário que sabe muito bem quem opera em sua cidade.

Em Salvador são três empresas-consórcio: 
- Plataforma: serve a cidade baixa, parte da região do IAPI e o subúrbio ferroviário. É composto pelas empresas do grupo GEVAN (Joevanza): Joevanza, Axé, Praia Grande e Boa Viagem, que pertenciam a mesma família, mas com membros diferentes como donos. Para compor o consórcio, as empresas foram extintas e absorvidas pela Plataforma. A extinta Capital, que não pertence ao GEVAN, faria parte deste consórcio, pois a sua sede e boa parte de suas linhas tinham a ver com a área.
- Salvador Norte: Serve a orla, o centro, parte da região do IAPI e os bairros limítrofes com o município vizinho de Lauro de Freitas. É composto pelas empresas dissidentes da Vibemsa (Viação Beira-Mar S.A.), extinta em 1991: BTU, Verdemar, Rio Vermelho, Ondina e Central. Há quem chame a empresa de "Nova Vibemsa". A fusão se repetiu na versão metropolitana, fazendo surgir a BTM (Bahia Transportes Metropolitanos).
- Ótima Transportes: Também conhecida como OT Trans, ela opera o "miolo", Cabula, Cajazeiras e áreas próximas. É a única das três empresas-consórcio a não ser formada por empresas de um mesmo dono. Também é ela que receberia duas das empresas que foram extintas antes da licitação: Barramar e Vitral. É composta pelas empresas União (única do GEVAN fora da Plataforma), o grupo Modelo/São Cristovão, Transol e Expresso Vitória. Junto com a CCR, administra a moderníssima Estação Pirajá, localizada estrategicamente entre a rodovia BR 324 e a entrada da região de Cajazeiras.

Apesar do sistema ter surgido na onda da padronização carioca, creio que o fim do sistema na capital do Rio de Janeiro não influirá em nada. O novo sistema de Salvador é complexo, tem características próprias e observo que eliminou uma série de erros que havia antes no sistema de ônibus soteropolitano. Ficará como está, até porque, mesmo imperfeito (renovação de frota lenta, escassez de carros em muitas linhas, ônibus sem conforto e sem ar condicionado), o sistema tem tido muitos acertos.

Recife

Se há um sistema de ônibus do Nordeste a se sentir influenciado pelo sistema do Rio de Janeiro é o de Recife. Com características muitíssimo parecidas com o sistema do Rio de Janeiro (mas sem diferença entre frota municipal e metropolitana, como na Grande Vitória e na RMS de Aracaju, além de ter dois sistemas diferentes de corredores, o SEI e o Via Livre), incluindo o fato de estar em decadência após a padronização visual de sua frota, é bem possível, mas não provável, que retorne a diversidade visual caso o Rio cancele a sua padronização.

João Pessoa

Com padronização peculiar em que não se permite a identificação da empresa, apenas do consórcio - aparentemente a capital paraibana não utiliza o sistema de empresa-consórcio - certamente não se deixará influenciar pelo fim da padronização carioca.

Maceió

Seu sistema permitiu que empresas pudessem ser identificadas através da cor, já que a variação de cor segue critério de empresas, que não foram divididas em consórcios. Isso faz com que o sistema se comporte como se não houvesse padronização visual, o que dispensa o cancelamento do sistema caso o Rio de Janeiro cancele o seu.

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017

O fim da Padronização Carioca: Regiões Norte e Centro-Oeste

Continuamos com a nossa série sobre o provável fim da padronização visual dos ônibus do município do Rio de Janeiro, desta vez mostrando as regiões Norte e Centro-Oeste do país. Porque juntei estas regiões em uma só postagem? Porque sei pouco sobre o sistema dessas regiões e tenho pouco o que dizer sobre elas. E vou falar apenas sobre as capitais que adotam a padronização visual.

Acredito que em todos os casos nestas duas regiões, a influência da volta da diversidade visual dos ônibus cariocas não deve influir, por razões que eu desconheço. Os sistemas tem as suas características e várias dessas capitais já utilizam a padronização visual há muitas décadas, bem antes da adesão do Rio de Janeiro, em 2010. As chances de que a diversidade chegará nas capitais nortistas e centristas do país que utilizam a pintura padronizada nas frotas de ônibus é quase nula.

O que posso destacar aqui é que Brasília adotou uma nova pintura, que mudou novamente após a sua implantação, tirando a meia lua que decorava a pintura, tornando-a praticamente semelhante ao da maioria das cidades do país. Campo Grande e Cuiabá também atualizaram as suas estampas, sem qualquer destaque a dar sobre elas a não ser o fato de que tem alguma beleza.

Na Região Norte, apenas Boa Vista segue com diversidade visual. Manaus e Belém, continuam com a sua padronização implantada por muitos anos. Palmas também tem a sua padronização, após a reorganização das empresas, há poucos anos, pois antes o sistema era desorganizado, como em cidades rurais. 

Rio Branco teve a peculiar atitude de abandonar a pintura mais feia do país para adotar outra. O curioso que a nova pintura é atualmente, a pintura padronizada mais bonita do país entre as capitais, num raro caso em que o pior muda para se tornar depois o melhor. 

Porto Velho tem outro caso peculiar. Adotou o mesmo tipo existente em Macaé e em Salvador: o da Empresa-Consórcio, em que as empresas se fundem para criar outra que também funciona como consórcio, só que com único CNPJ e estrutura de uma só empresa. Ganhou o nome de SIM Porto Velho e a sua estampa destaca o nome da nova empresa. Por não esconder a identidade da empresa, o caso de Porto Velho até pode sr desconsiderado como uma padronização, como acontece nos sistemas de Empresa-Consórcio.

Era isso que tinha o que dizer, afirmando que a implantação da diversidade visual no Rio de Janeiro não irá influir no Norte e no Centro-Oeste, a não ser que aconteça algo muito surpreendente, que tem pouquíssimas chances de acontecer.

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2017

Como fica a Região Sul com fim da padronização visual carioca?

A Região Sul é a região onde culturalmente mais se gosta de padronização. Sulistas adoram padronizar tudo, qualquer coisa. Diversidade chega a dar nojo em muitos sulistas que sonham em uma sociedade homogênea, sem misturas e totalmente uniforme. 

Não é surpresa que a região foi o berço da padronização visual, há mais de 40 anos, ainda na época da ditadura militar, em Curitiba, hoje palco da operação Lava Jato, que deu apoio jurídico para a conclusão do golpe de 2016.

Curioso que a cidade onde eu nasci, Florianópolis - sou sulista, mas adoro diversidade! - tentou, após o período de padronização nos anos 70 e 80, adotar na segunda metade da década de 80 a diversidade visual, com cada empresa tendo a sua pintura própria. Uma coisa louvável e linda de se ver, além de surpreendente, pois a tendência era fazer o oposto. 

Com a decisão do carioca Eduardo Paes, "Floripa" desistiu da diversidade e hoje segue com um fardamento que não é somente chocho, como também é um plágio da pintura de uma cidade paulista, Limeira. A pintura adotada em Floripa não permite a identificação das empresas de qualquer forma. Os passageiros tem que recorrer a secretaria de transportes para cobrar melhorias, o que demora mais para que problemas simples sejam resolvidos.

Vamos analisar como o impacto das mudanças anunciadas para 2017 no Rio NÃO irá influenciar o sistema da Região Sul, que deverá seguir na mesma, até por influência do pomposo e superestimado sistema de Curitiba, consagrado no senso comum como "melhor sistema de ônibus do país", embora não seja de fato, nas palavras dos usuários do sistema.

Grande Curitiba

Cidade inventora da padronização visual, criada na ditadura militar pelo político, arquiteto e urbanista Jaime Lerner - consultor, junto com representantes das elites abastadas, do governo Temer - e inspirada nos veículos militares, com a mais absoluta certeza não será influenciada pelas mudanças sugeridas por Fernando McDowell no Rio de Janeiro.

Graças ao estigma de "melhor sistema de ônibus do país", certamente seus gestores não eliminarão a padronização de pinturas - sem qualquer tipo de identificação de empresas, sendo o único sistema cujo critério de variação de pintura é o tipo de serviço - por achar que faz parte de suas "qualidades". 

Sem renovar a frota com carros zerados desde 2011, a capital curitibana dita as regras da Região Sul e a possibilidade de retomar a diversidade visual de tempos remotos é quase nula, dada a importância que a cidade tem para a estereotipação do que se entende como "transporte de qualidade".

Grande Florianópolis

Apesar de inspirada pelo Rio de Janeiro a retomar a padronização visual, só que de forma mais brutal, sem qualquer tipo de identificação das empresas ou variação de cores, não deverá usar a mesma influência para cancelar a uniformização da frota, dada a influência de Curitiba, que deverá obrigar a capital catarinense a não adotar a diversidade visual. Apenas a frota metropolitana mantem a diversidade visual, algo que não acontece nas outras capitais sulistas, onde até a frota que serve cidades vizinhas é fardada.

Grande Porto Alegre

Adotando a padronização por muitos anos, em 2016 mudou a sua pintura, permitindo a variação de cores por consórcio, inspirada nos times locais de futebol (?!). Houve uma melhoria estética, pois a pintura anterior era uma das mais feias do país (perdendo apenas para a pintura mais antiga de Rio Branco do Acre, curiosamente hoje a capital com a pintura padronizada mais bela, já que também mudou de pintura há poucos anos).

Certamente não irá se influenciar pelas mudanças no Rio de Janeiro pois, além de ter mudado recentemente de estampa de pintura, sua influência maior é Curitiba e dependerá da capital paranaense a decisão de cancelar ou não o fardamento das pinturas de ônibus.

terça-feira, 21 de fevereiro de 2017

O Fim da Padronização carioca e os outros estados do Sudeste

Quando Eduardo Paes quis padronizar os ônibus do Rio, demonstrou de forma sub-entendida, a vontade de se integrar com o resto das capitais do Sudeste, todas com sistema de pintura padronizada, descartando de vez a diversidade visual que além de embelezar o sistema, serve para que os passageiros conheçam as empresas que operam em suas cidades.

Com o anunciado possível fim da padronização carioca, vamos nesta postagem falar sobre as outras capitais e regiões metropolitanas, que provavelmente não cancelarão as suas padronizações, mas por diferentes motivos. Vamos lá.

Grande São Paulo

Com chances quase totais de manter a sua padronização, pois além de cancelar há mais tempo a diversidade visual de sua frota de ônibus, o fez com base em sua fonte de inspiração, o sistema de Curitiba. Eu falei quase totais e não totais. A possibilidade de cancelar a padronização é remota, mas não é nula.

Houve recentemente um anúncio de que São Paulo iria trocar o sistema de consórcios pelo sistema de lotes, como acontece em Salvador. Mas nada foi falado depois do anúncio e ficamos sem saber sobre isso. Até segunda ordem, a padronização será mantida, não dependendo da influência do Rio de Janeiro e sim de Curitiba para algo poder ser alterado.

Grande Belo Horizonte

Caso parecido com São Paulo, também deve ficar na mesma. Influenciada também por Curitiba e adotando a padronização quase simultaneamente com São Paulo, não deverá ser influenciada pela mudança no Rio de Janeiro, a não ser que aconteça algo muito surpreendente.

Grande Vitória

Acredito que também não mude, embora o sistema não dê sinais de que seja influenciado por Curitiba. O sistema da Região Metropolitana de Vitória é similar ao de Aracaju (que, do contrário de Vitória, mantém a diversidade), sem separação entre os sistemas de ônibus da capital e da região metropolitana, o que lhe dá características peculiares. 

Recentemente trocou a sua pintura padronizada por uma mais chocha, descartando uma pintura que estava entre as mais belas do país. Provavelmente deve manter a padronização.

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

O Fim da Padronização e o que poderá acontecer no resto do estado

Em 2010, a capital do Rio de Janeiro deu a largada para a chamada padronização visual dos ônibus. Entusiasta do pomposo sistema de ônibus curitibano, Eduardo Paes decidiu implantar uma só estampa de pintura para cerca de 50 empresas, causando confusão e eliminando a beleza dos ônibus, que eram marca registrada no turismo da capital fluminense.

A pintura escolhida foi uma copia dessaturada da pintura da Itapemirim, feita pelo mesmo projetista, um tal de Ferro, que também criou a pintura da Util. Desde a implantação da pintura, o sistema de ônibus da capital fluminense entrou em grave declínio e hoje segue em frangalhos, junto com a crise que afundou o estado e mais ainda a sua capital.

A nova gestão, com Marcelo Crivella na prefeitura e o engenheiro Fernando McDowell como vice e secretário executivo de transportes, parece que os bons tempos irão voltar. McDowell demonstrou vontade de devolver ao Rio de Janeiro a diversidade visual que identificava e destacava com rapidez e facilidade cada empresa do sistema, favorecendo o interesse de usuários e entusiastas.

Mas o que a gente pensa é o seguinte: em 2010 a adoção ocorrida no Rio se espalhou por outras localidades do país, feito pereba. Será que o cancelamento na capital representaria o cancelamento em outras localidades que adotaram a padronização? Na postagem de hoje, focaremos o estado do Rio de Janeiro.

Niterói e São Gonçalo, cidades irmãs da capital

Cidades próximas da capital fluminense e diretamente influenciadas por ela, as duas cidades estavam entre as primeiras cidades a entrar na onda da padronização de 2010, embora ela já existisse anos antes em Barra Mansa e Volta Redonda.

Niterói, cidade onde eu moro e cujo exemplo aparece na foto ilustra esta postagem, adotou uma pintura de duas cores básicas que ainda é muito elogiada por muita gente sobretudo os entusiastas. Eu particularmente acho a padronização de São Gonçalo mais bonita, mas é uma questão de gosto. A lembrar: a cor vermelha do consórcio TransNit (a TransOceânico usa verde) costuma desbotar com o tempo, perdendo a beleza e deixando o veículo com cara de acabado.

Segundo conversas que tive com alguns entusiastas, é grande a chance de que Niterói cancele a padronização após a decisão carioca. Empresários locais também vão querer ostentar as suas marcas e a pintura diversificada lhes permitia isso. O prefeito em si demonstra estar alheio ao assunto, mas a pressão das operadoras deve favorecer volta da diversidade.

Quanto a São Gonçalo, o mesmo deve acontecer, com chances menores. Pelo menos a pintura aplicada em São Gonçalo parece mais bonita (opinião minha) e imune ao debotamento, evitando a cara de deterioração em carros mais antigos. Além disso, a pintura optou por destacar o nome de cada empresa na lataria, o que diminui os danos pela má identificação das empresas.

Nova Iguaçú, e Campos

Cidades que também entraram na onda, se encaixam em situações peculiares. Campos tinha uma diversidade marcada por pinturas relativamente recentes e de estética marcante. Abriu mão da diversidade por um sistema de poucas cores que destacava a palavra "Passagem Social" ao invés do nome da cidade, o que seria regra na maior parte das padronizações. O nome da empresa aparecia quase ilegível na parte de trás da lateral.

Nova Iguaçú implantou a sua recentemente. Com uma pintura tão bela quando a gonçalense, na minha opinião, a sua única variação é um círculo discreto ao lado do nome do consórcio. Destaca o nome da cidade, mas deixa totalmente ilegível o nome das operadoras licitadas.

Embora as chances não sejam tão grandes quanto a de Niterói e SG de retomar a diversidade visual, elas também não são pequenas vista a importância que as duas cidades possuem, sendo Nova Iguaçú integrante da Região Metropolitana e Campos a maior cidade do estado.

Araruama, Teresópolis, Cabo Frio

Estas três cidades adotaram padrões muito parecidos e são operadas por empresas do mesmo grupo empresarial (grupo Salineira). Como a pintura foi decidida pelas empresas, apesar da imposição da padronização sejam das gestões municipais, pode ser que fique como está ou a pintura sirva de inspiração para a nova estampa de pintura para o grupo empresarial, colocando o nome da empresa ao invés do nome da cidade.

Barra Mansa e Volta Redonda

Estas duas cidades, situadas no Sul Fluminense, por incrível que pareça, não são influenciadas pelo que acontece no estado do RJ e sim em São Paulo, devido a proximidade. Vai depender do que acontecer em São Paulo, que por sua vez segue influenciada por Curitiba. Até segunda ordem, os sistemas dessas cidades continuam sem diversidade visual.

A anunciada padronização metropolitana e a tentativa da Tanguaense

Ao renovar a frota com carros da Marcopolo Torino 2014, a empresa da pequena cidade de Tanguá, próxima a Rio Bonito, tentou esboçar um possível modelo para a padronização da região metropolitana, colocando o nome da empresa como era na capital, antes da padronização e o logo do governo do estado em destaque na carroceria. 

Esta tentativa ocorreu no meio de boatos que sugeriam que linhas metropolitanas que tenham a capital fluminense como destino teriam a sua diversidade visual cancelada. A Tanguaense estaria de fora desta iniciativa, pois não tem linha para a capital. Mas a empesa deve ter decidido oferecer uma sugestão para que o Detro a utilizasse como modelo de pintura para a padronização.

Com o cancelamento da padronização da rota municipal da capital, é mais do que certo que a ideia de padronizar a frota metropolitana, ainda sem projeto definido, será totalmente descartada.

domingo, 19 de fevereiro de 2017

Como o fim da padronização visual no Rio vai influenciar outra localidades?

Quando em 2010 o então prefeito Eduardo Paes, inspirado em Curitiba, decidiu fardar os ônibus do Rio de Janeiro, colocando uma única pintura em mais de 50 empresas, com discretas variações de cores que eram confundidas dependendo da iluminação, outras localidades abraçaram a ideia. 

Afinal, o propósito era fazer um sistema de ônibus "para inglês ver" dando ênfase ao nome do município e omitindo o nome das empresas que venceram a licitação, para favorecer irregularidades de vários tipos. Resultado: muita confusão e queda brusca na qualidade da operação e da manutenção do sistema. Empresas dicaram proibidas de mostrar as suas marcas, mesmo vencendo licitações de acordo com as leis.

A população ficou praticamente prejudicada. Sem saber a operadora, o usuário era obrigado a recorrer a Secretaria de Transporte na hora de exigir melhorias, tornando o processo mais lento (o contato direta usuário-empresa era rompido) e mais incerto (dependia da decisão de secretários de transporte), muitas vezes não dando em nada.

Entusiastas de transporte em sua maioria não ligaram muito pois, junto com a pintura padronizada veio a adoção de chassis mais possantes, o que fizeram com que eles, que eram admiradores do sistema e não usuários, ignorassem o fardamento e passassem a apoiar os novos sistemas só por causa de chassis mais modernos, o verdadeiro foco desse entusiastas.

Mas eis que chega o ano de 2017 e recebemos uma boa notícia vinda justamente de Fernando McDowell, engenheiro de transporte que é a voz mais convincente contra a padronização visual. Ele anunciou que há grande probabilidade da diversidade de pinturas retornar. 

Temos que aguardar a partir de abril, quando o novo sistema de ônibus será apresentado. Mas vamos aproveitando para fazer uma análise, através de uma série diária que se inicia hoje. Vamos analisar o impacto desta decisão e ver como ficará o transporte em várias regiões do Brasil, que mudaram com base na decisão carioca em 2010, visando copa e olimpíadas que acabaram. Sem turistas, não será mais necessário focar o nome das cidades nos ônibus. Amanhã falaremos do Estado do Rio de Janeiro, iniciador do modismo de 2010. Nos acompanhem!

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017

Renovação de frota a passo de lesma e o verdadeiro motivo da crise

É notável que 2016 foi um dos anos em que houve menos novidades de ônibus. A renovação de frota seguiu e ainda segue em passo de lesma e 2017 promete continuar assim. Poucos ônibus novos foram adquiridos e a idade média da frota urbana e rodoviária pelo país todo aumentou de maneira significativa. O motivo alegado é a crise que dificultou encarroçadoras de fabricar e operadoras de comprar veículos novos. 

Temos que esclarecer sobre as verdadeiras causas disso, pois a má-informação corre solto pelas redes sociais. E esqueçam a paranoia de "esquerda versus direita", que parece coisa de torcida de futebol. O que pretendo aqui é colocar um pouco de bom senso, com base na análise de fatos e não na defesa de ideologias.

Vários entusiastas, confiantes na grande mídia e em personalidades de caráter duvidoso, tentam atribuir os motivos da crise de uma forma localizada, culpando os governos progressistas - que de fato combatiam a crise e não o contrário - por falir o Brasil. Nada disso. Se os entusiastas reservarem seu tempo a procurar as fontes corretas de informações, evitariam falar tanta besteira.

O Capitalismo está obsoleto e só favorece quem tem ganância

O Capitalismo está dando sinais claros de sua obsolescência. Útil na época da Revolução Francesa, o Capitalismo hoje só serve para satisfazer a ganância das pessoas mais ricas do mundo. O sistema já não consegue mais resolver os problemas econômicos com as regras sugeridas pelo Capitalismo. 

A sociedade, incluindo setores econômicos como dirigentes do FMI e membros do fórum de Davos, já clamam por um sistema econômico novo, que possa ser mais justo e proporcione a circulação de dinheiro, ao invés de sua concentração nas mãos de poucos.

Embora pouco comentado, é conhecido por especialistas e interessados o fato de que os empresários mais gananciosos costumam aplicar apenas uma pequena parcela de seus lucros em suas empresas (pessoas jurídicas), guardando a maior parte para a sua vida particular (pessoas físicas). Quem acha isso normal, é porque não conhece este fato, se esquecendo da diferença entre pessoa física e jurídica no patrimônio do dono de uma empresa.

As empresas tem recebido poucos investimentos, não raramente por motivos de chantagem (para derrubar governos que combatem a ganância). Não que as empresas de transportes estejam envolvidas, mas essas chantagens acabam por prejudicar as empresas que se recusam a se envolver com o irresponsável sistema chantagista.

Economia sadia é economia com dinheiro circulando

Na verdade, não está faltando dinheiro. O dinheiro é material. Ele continua existindo, porém não está circulando. E se engana que está nas mãos de autoridades que justamente estavam combatendo a ganância (a mídia apoia os gananciosos e calunia quem combate a ganância). Os gananciosos, donos do capital e cuja opinião pública não os enxerga como vilões, repetem dinheiro para simular crise e forçar a redução de despesas e investimento, para forçar a aceitação na marra de condições leoninas que favorecem apenas os mais gananciosos.

Ou seja, se as empresas de fabricação e operação de transportes coletivos estão com dificuldades, responsabilize os maiores empresários do planeta, provavelmente os fornecedores de peças e combustíveis para as empresas, muito mais interessados em cumular bens do que em fazer a economia se movimentar.

Confundir ganância com direito, como tem acontecido nas mentes mal-informadas de conservadores em geral, tem sido a verdadeira razão da crise e tem feito com que muitas empresas não-gananciosas fechassem as portas por dificuldades ou atuarem de forma mais lenta, com o objetivo de diminuir os gastos, já que o grosso do dinheiro que deveria estar circulando e alimentando o funcionamento de serviços e criação de produtos, está nas mãos de quem não está nem aí para os danos da crise.

O jeito é esperar que os danos possam manchar a imagem dos mais gananciosos que, prejudicados, possam entender que dinheiro é como sangue: o sistema só irá bem se ele estiver circulando, de uma forma que beneficie a todos e não apenas aos mais fortes. Só uma economia mais altruísta pode acabar com a crise e evitar o prejuízo e a falência de várias empresas.

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2017

Secretário de transportes da gestão Crivella pretende extinguir pintura padronizada

Símbolo da gestão de Eduardo Paes, acusado de ter deixado o Rio de Janeiro em situação de falência, a pintura de cinza fosco com variação de cinco cores que mal eram distinguidas dependendo da iluminação, está com os dias contados. E pelo jeito não teremos nova estampa de padronização como se era esperado: a pintura diversificada poderá voltar.

O secretário de transporte da gestão de Marcelo Crivella e vice-prefeito e engenheiro de transportes Fernando McDowell pretende reformular o transporte municipal do Rio devolvendo as qualidades que tinha antes da padronização, ao mesmo tempo que mantem as que estão em vigor, além de propor melhorias. Várias linhas serão ressuscitadas e o BRT, que será mantido, sofrerá alterações em seu projeto, que possui vários erros.

McDowell, que em várias oportunidades se manifestou contra a pintura padronizada, sendo a voz com maior visibilidade contra a medida, pretende devolver o sistema em que cada empresa é identificada com a sua própria pintura, padronizando apenas a colocação do nome da empresa e da numeração dos veículos. 

Padronização foi inspirada em Curitiba e visava copa e Olimpíadas

Não foi informado se a divisão de consórcios será mantida. Mas mesmo mantendo a divisão por consórcios, não é necessário enfatizá-la nas pinturas por ser uma informação que só interessa a própria equipe técnica da Secretaria de Transportes. O povo quer mesmo é conhecer as empresas que servem a sua cidade e ter a oportunidade de contato direto com elas para sugerir e cobrar melhorias sem ter que recorrer a intermediários (no caso, a Secretaria de Transportes).

O secretário disse que a pintura diversificada, que ele dá o nome de "ônibus coloridos" é marca da cidade do Rio de Janeiro e não deveria ter sido extinta. Concordamos e acrescentamos que isso estimulava o turismo, pois muita gente queria conhecer pessoalmente as empresas de ônibus da cidade, que apareceram em muitos filmes nacionais nos anos 70 e 80.

Na verdade, a pintura padronizada foi imposta por Eduardo Paes inspirada no sistema de Curitiba, com objetivos de agradar aos turistas da copa de futebol e jogos olímpicos. Daí a ênfase do nome da cidade na pintura em detrimento da identificação das empresas, presente, mas quase ilegível. 

Coincidentemente o sistema criado para ser "perfeito", entrou em colapso, pois várias empresas dependiam da identificação visual para divulgar as suas marcas. Várias empresas acabaram e surgiram sem o conhecimento dos cidadãos. Com o fim dos tais eventos, a piora do sistema de ônibus carioca atingiu níveis insuportáveis, já que não tinha mais turistas para ser enganados.

Pintura imposta por Eduardo Paes será extinta

Pelo jeito, essa uniformização dos ônibus, está com os dias contados. Ainda não temos confirmação sobre isso. A única certeza é que o cinza chocho de Eduardo Paes vai desaparecer. Na pior das hipóteses, o que pode ocorrer e uma mudança de padronização de pintura, como aconteceu recentemente com a cidade mineira de Juiz de Fora. Mas pela vontade de McDowell, não somente a pintura em si, mas a diversidade de pinturas estará de volta.

Vamos aguardar a partir de abril, quando será divulgado o novo sistema de ônibus do Rio de Janeiro, que promete retomar a alegria dos tempos áureos, sem o pragmatismo do cinza sem graça de Eduardo Paes. Até porque 50 empresas diferentes com uma mesma identidade é uma ofensa aos usuários que pagam impostos todos os anos e querem conhecer as vencedoras das licitações de seu município.

domingo, 5 de fevereiro de 2017

O fim da Kaissara e o fortalecimento da Itapemirim

Poucos tempos atrás, por motivos que cabe a nós ignorar, boa parte da Itapemirim foi supostamente vendida para um grupo que a batizou de Kaissara, versão estilizada da pequena empresa do grupo que fazia uma linha municipal (!!!) em Campos. 

Muitos acreditavam ser o fim de mais uma empresa gigante, numa época onde várias empresas foram extintas por motivos financeiros ou estratégicos. Mas a Kaissara acabou pegando e como mantinha a qualidade da sua antecessora, acabou ganhando os fãs dela.

Mas no final de 2016 algo aconteceu que trouxe de volta uma das mais importantes marcas do transporte coletivo rodoviário do país. Antes é preciso falar sobre uma coincidência.

A Rápido Marajó

Uma das mais tradicionais empresas que ligam as regiões norte e centro-oeste do país, a Rápido Marajó, havia comprado a Transbrasiliana, ainda mais tradicional. Vários entusiastas começaram a postar fotos da Marajó e fazendo muitos comentários, se convertendo aos poucos em fãs deste empresa.

A Rápido Marajó acabou sendo uma das favoritas entre os entusiastas e ganhou apelidos interessantes como "Mcbus" por causa do M amarelo que lembrava o logo da rede de lanchonetes McDonalds. A Transbrasiliana quase seria extinta, mas uma nova pintura, no mesmo estilo da nova pintura da Marajó, surpreendeu a todos.

O curioso que a Marajó virou assunto constante entre os entusiastas, bem antes de saberem que ela seria envolvida em um episódio envolvendo a empresa favorita dos entusiastas, a Itapemirim.

Itapemarajó ou Rápido Mirim?

Pois não é que a empresa favorita dos entusiastas acabou sendo engolida pela nova querida dos mesmos entusiastas. Os fãs das duas empresas mal sabia que iriam fazer parte da mesma história. Ou se sabiam, era um segredo de bastidor.

Agora, o negócio ficou o seguinte: virou grupo Itapemirim. A Marajó continua co-existindo como outra empresa do grupo. A Kaissara é extinta e não obtive informações sobre a Transbrasiliana, embora haja sinais de que ela possa também desaparecer.

Os carros da Kaissara já estão sendo pintados com o logo da Itapemirim, mesmo mantendo a cor marrom da Kaissara. A Rápido Marajó pintou alguns carros com a pintura da Itapemirim por caráter provisório, pois ela ganhou linhas de uma tal de Solução e precisava de mais carros. Quando a Marajó renovar, os seus "amarelinhos" serão incorporados à Itapemirim.

Desejamos sucesso a todas as empresas envolvidas, principalmente a Itapemirim, que marcou os sonhos de muitos admiradores de ônibus elo Brasil e também pelo mundo!

Em homenagem, uma galeria com fotos que poderiam servir para narrar o que aconteceu, incluindo a pintura prateada da fase pré-Kaissara, que gostei bastante e na última foto, uma exclusividade: a minha proposta para nova pintura da Itapemirim, no padrão estético da Rápido Marajó.