sexta-feira, 16 de junho de 2017

Do contrário de rumores, donos da CAIO resolveram ressuscitar a Busscar

Estava praticamente certo que a CAIO compraria a estrutura da Busscar para fazer a sua linha rodoviária, mas usando seu próprio nome e não da falida encarroçadora. Rumores davam como quase certa que a estrutura comprada serviria apenas para fazer a linha Solar decolar.

Mas uma nota divulgada no site do radialista e estudioso de transportes Adamo Bazani revelaram que os donos da CAIO resolveram ressuscitar mesmo a Busscar.

Possivelmente será uma Busscar meio "Caiocizada" e desvinculada da filial colombiana, hoje bem sucedida e com novos e belos modelos. Aliás é bem estranha esta estória de filial bem sucedida de matriz falida e mais estranha é a falta de interesse da filial colombiana em ajudar a matriz.


O que revelou a volta da encarroçadora é um site em que pede currículos e anuncia uma "nova história" para a firma, com direito a logomarca mais recente utilizada pela empresa em sua fase final. O antigo executivo da Busscar, Sérgio Souza, será o novo gerente na nova fase, o que pode indicar, para a minha alegria, uma possibilidade da nova Busscar não se tornar uma nova "CAIO".

Tendo ou não cara de Busscar Induscar, criando uma rima interessante, é uma excelente notícia a volta da Busscar. Torço para que a  encarroçadora mantivesse suas características na nova fase, se inspirando cada vez menos na CAIO. 

A Busscar, incluindo a fase Nielson sempre se destacou perante as outras encarroçadoras e pelo conjunto da obra foi considerada a melhor encarroçadora do país, com clientes fiéis como a niteroiense Fortaleza e a soteropolitana BTU.

Desejamos boa sorte a fase nova da empresa, mesmo vinculada ao grupo CAIO Induscar.

quinta-feira, 8 de junho de 2017

Ônibus túnel gera polêmica na China e consequentemente é abortado

Durou pouco a euforia pelo mais revolucionário transporte coletivo do mundo: O Stradding Bus, que também chamado de "Ônibus Túnel" e que no projeto original era conhecido como TEB (Ônibus Elevado de Trânsito, em inglês). Falamos dele em outra postagem deste blogue. Uma enorme polêmica envolveu o projeto e o protótipo acabou abandonado.

A mídia local começou a questionar o projeto, observando limitações e acusando o projeto de ser uma armação para gerar dinheiro ilegalmente. O que se sabe é que os testes ocorreram numa pequena área com apenas 300 metros e especialistas atentam que tais eram insuficientes para mostrar as vantagens do projeto.

Alegam que o tipo de transportes não está adaptado para as características de várias estradas e que o projeto é baixo demais para os tipos de veículos que rodam na China. A fama de maus motoristas dada aos chineses também preocupou. Afinal, quem conduzirá o enorme veículo?

O projeto ficou abandonado na pista de testes, colocada ao lado de uma estrada, limitando a sua largura. Motoristas reclamam que o projeto virou um "elefante branco" a atrapalhar o transito na localidade. O projeto será revisado e o resultado da revisão apresentado em 2018.

Uma pena que este projeto tenha rendido tanta polêmica. Eu gostei dele. Tomara que não desistam e aperfeiçoem o projeto, observando o maior número de condições possíveis.

Enquanto isso, o BRT carioca está sendo um estrondoso fracasso. Não passando de um projeto de 40 anos atrás caracterizado por um articulado comum a andar superlotado em trajetos mal bolados. Ninguém da mídia se levantou para reclamar. Parece que a mídia, comumente aliada com interesses de patrocinadores, adora projetos ruins e detesta boas ideias.



domingo, 4 de junho de 2017

Linha 52 de Niterói agora passa em Charitas

Em Niterói, uma boa alteração de itinerário que já começa a beneficiar muitos moradores dos bairros no entorno do novo túnel Charitas-Cafubá. A linha 52, que liga Itaipu, principal bairro da Região Oceânica ao bairro de Baldeador, na região da RJ 104 e no limite norte com o município de São Gonçalo, ampliou bastante seu itinerário e agora serve aos moradores de São Francisco e proximidades.

Antes a linha 52, uma das poucas do município que sequer chega perto do centro da cidade, saía de Itaipu até a altura do Shopping Itaipu (que apesar do nome, não fica em Itaipu mas na parte externa de Cafubá) rumo ao acesso da Estrada Caetano Monteiro, que leva ao Baldeador, destino final da linha. Agora passa por todo o bairro do Cafubá, alcança o túnel, chega a Charitas e segue pela Estrada da Cachoeira até Largo da Batalha, onde segue através da Caetano Monteiro para seu destino final.

Apesar do prolongamento significativo de itinerário (abaixo um mapa dará noção da distância entre os bairros), é uma alteração útil. Além de atender aos moradores dos bairros que não eram servidos pela linha, serve também como opção mais rápida para moradores dos bairros já atendidos pela linha para irem ao Rio de Janeiro através das barcas.

Não fui informado se a linha fará parte do sistema BHLS, apesar de andar nas vias exclusivas reservadas ao serviço. Opera atualmente com ônibus comuns. Fui informado que a aquisição dos veículos BHLS ainda se encontram em estudo, pois além das características dos veículos não estarem definidas, há o problema de custos, se são viáveis ou não. Creio que optarão por ônibus comuns, de motorização dianteira, mas com portas nos dois lados, como há em Teresina do Piaui. São mais baratos para adquirir e tem manutenção fácil e menos onerosa. 

De qualquer forma, fiquei feliz com o prolongamento da 52, que também ajudará na ampliação de demanda para a linha local, que não serve o centro da cidade. E com isso se espera o crescimento de infra-estrutura dos bairros agora servidos pela linha, com várias áreas de características semi-provincianas, com comércio escasso e ruas pouco movimentadas.


terça-feira, 30 de maio de 2017

Real vende FAOL e três grupos passam a administrar a empresa

A bela e simpática cidade de Nova Friburgo está em alerta sobre o seu sistema de ônibus: a FAOL (Friburgo Auto Ônibus Ltda.), tradicional empresa da cidade, existente há décadas, deixou de pertencer a grupo Real Auto Ônibus, que havia adquirido a empresa em 2012.

A FAOL agora passa a ser administrada por uma espécie de consórcio formado por três diferentes empresas: Coesa, de São Gonçalo, Expresso Recreio, de Itaguaí e Pavunense, do Rio de Janeiro, todas sem relação umas com as outras. A mudança já começa a ser posta em prática na segunda feira próxima, dia 04/05.

Muita coisa vai mudar na empresa, que tinha características semelhantes ao grupo que acaba de vendê-la. A pintura com certeza irá mudar, já que a sua estampa segue a estética do grupo Real, já observada na empresa de fretamento Reitur. Provavelmente, com o possível fim da padronização visual na capital fluminense, a pintura amarela da FAOL (que tinha cores diferentes por causa da área de operação) será a pintura da Real na retomada de sua identidade. A variação de três cores provavelmente será mantida.

Quanto aos carros, ainda e um mistério, pois as três novas donas tem características bem diferentes. Vamos aguardar o desenrolar dos fatos. O bom é que os friburguenses não ficarão sem ônibus e como as três novas donas são de empresas exemplares tanto na operação como na aquisição/conservação da frota, nítidas melhorias estão senso esperadas.

Como forma de criar perspectiva, coloco aqui fotos dos carros mais novos das empresas responsáveis pala nova fase da tradicional FAOL.



domingo, 21 de maio de 2017

Conheça o Túnel Charitas-Cafubá

Nos dias 10, 13 e 17 (os dois primeiros no lado de Charitas e o último no lado de Cafubá), eu estive conferindo pessoalmente e fotografando as partes externas do túnel Charitas-Cafubá, que liga o bairro da região de São Francisco (Charitas) a um dos primeiros bairros da chamada Região Oceânica,(Cafubá). A prefeitura atual considera a sua principal obra.

Apesar de ser uma obra extremamente importante, não é a única coisa a se fazer em Niterói, que tem um dos trânsitos mais caóticos que eu já vi. Mesmo assim, quem mora nas regiões citadas foi beneficiado por um acesso mais rápido que também pode melhorar a urbanização das citadas áreas.

Cliquei várias fotos, mas selecionei as 20 mais relevantes para esta postagem. A observar:

Lado Charitas (dias 10 e 13 de maio de 2017):
Foto 01 e 02: Externa do túnel do lado de Charitas.
Foto 03: Rótula na saída do túnel e que serve de retorno para os ônibus que servem o bairro.
Foto 04: Ônibus de piso baixo fazendo o trajeto do futuro BHLS em direção ao túnel.
Foto 05 e 06: Futura estação do ônibus BHLS em Charitas.
Foto 07 e 08: Parte interna do túnel no lado Charitas (OBS: no dia 17, não fui autorizado a fotografar o interior no lado Cafubá).
Foto 09: Ônibus de piso baixo indo à estação após sair do túnel.
Foto: 10: Cartaz de propaganda sobre o túnel colocada na rótula de retorno.

Lado Cafubá (dia 17 de maio de 2017):
Foto 11: Ônibus de piso baixo no principal largo de acesso ao bairro.
Fotos 12, 13, 14 e 15: Via do BHLS em parte de sua extensão.
Foto 16: Placa eletrônica que avisa a situação de trânsito no túnel.
Foto 17: Ônibus intermunicipal fazendo linha para a capital, em direção ao túnel, após fazer "escala" em Cafubá.
Foto 18: Canteiro de obras do túnel.
Fotos 19 e 20: Externa do túnel no lado de Cafubá.











sexta-feira, 5 de maio de 2017

Amparo adquire seu primeiro urbano com ar condicionado

Desde os anos 70, no Brasil, ônibus em linhas regulares municipais e metropolitanos passaram a ter veículos equipados com ar condicionado. Mas era uma exclusividade de carros rodoviários, aqueles ônibus com uma porta e poltronas que são fabricados para linhas de longa e média distância. No final da década de 90, foi permitido para que ônibus urbanos também pudessem ter ar condicionado, como ocorre em países mais desenvolvidos.

O Rio de Janeiro foi e é ainda o estado que mais tem ônibus urbano com ar condicionado. Pouquíssimas empresas ainda não tem urbanos refrigerados. Algumas cidades ainda não autorizaram o equipamento para frotas municipais, como em São Gonçalo. mesmo assim, a refrigeração dos ônibus urbanos no Rio de Janeiro segue constante e crescendo gradativamente.

Uma das poucas empresas que ainda não tinha equipado a frota urbana com ar condicionado foi a Amparo, de Maricá. Nos anos 80 nem mesmo a sua frota rodoviária era refrigerada. Apenas a frota rodoviária, que foi se ampliando com rapidez, com várias linhas para o centro do Rio, adquiriu, ainda no final dos anos 90, carros refrigerados.

Mas algo observado com relativa discrição no Ônibus Brasil, fotografado pelo busólogo Matheus Lucas mostrou uma grande novidade na empresa: após anos, desde que as empresas passaram a equipar urbanos com aparelhos de ar condicionado, a Amparo apresenta seu primeiro urbano refrigerado.

É um carro da Apache Vip IV, modelo da encarroçadora CAIO, com motorização Mercedes Benz 1721L como nas aquisições mais recentes. A diferença é a refrigeração no salão de passageiros. Nenhuma informação a mais sobre o carro foi publicada. O carro fotografado, ainda sem número, continua em Botucatu, sede da encarroçadora.

A Amparo é uma das melhores empresas da região metropolitana do Rio de Janeiro. Seus carros são conservadíssimos e suas linhas tem uma enorme quantidade de carros, reduzindo bastante o tempo de espera nos pontos. A aquisição do refrigerado vai melhorar o que já era considerado excelente. Os usuários e admiradores da empresa, especialmente os moradores de Maricá, sede da empresa, comemoram e agradecem.

domingo, 30 de abril de 2017

Belas aquisições para Niterói

Hoje vou falar como entusiasta, mas sem deixar de lado a minha condição de usuário. Duas grandes novidades estão chegando para Niterói e a curto prazo poderei ver pessoalmente e registrar com fotos próprias. Para esta postagem, utilizo fotos de outros entusiastas, Marcus Perez Correa e Matheus Henrique, manifestando meu respeito através da preservação dos créditos.

A primeira novidade é a renovação da Transoceânico, através de sua divisão, a "Fortaleza", que estava sem renovar desde 2013 (as outras divisões da Transoceânico continuavam renovando). A novidade ficou por conta da variação de carroceria e chassis, recebendo cerca de 5 Neobus Mega Plus com chassis Mercedes Benz. A empresa era freguesa da CAIO e montava seus ônibus sobre chassis Volkswagen. 

Os carros da Transoceânico vem equipados com ar condicionado e o seu elevador para deficientes é um pouco diferente, com uma porta pequena embaixo da porta do meio, em folha única, de onde sai o equipamento para a montagem do elevador, que é montado e desmontado, sem prejudicar o espaço interno do ônibus. Os carros estarão reservados para a linha 53 (Viradouro-Centro) e devem substituir os Busscar Ecoss de uma porta e sem elevador, comprados quando eu ainda morava em Salvador.

Parceira da Marcopolo durante décadas, Mauá compra CAIO

A outra novidade, apesar de não envolver mudança de chassis, é ainda mais impactante. A Mauá, tradicional compradora da Marcopolo, a ponto de criar. junto com a encarroçadora. uma versão popular para o Viale, modelo que saiu de cena ano retrasado, chega agora com seus primeiros CAIO Apache Vip IV, mantendo o chassis Mercedes 1721 das últimas aquisições.

Apesar da empresa ser gonçalense, a linha a receber os carros é a que liga o centro de Niterói ao centro do Rio, a 101, provavelmente transferindo os Torinos 2014 para os setores SG/Rio (Méier e Campo Grade), que deverão perder os últimos Viales encerrando de vez a presença da estimada carroceria na empresa.

A última vez que a Mauá comprou CAIO foi nos anos 70, na verdade recebendo carros das empresas que comprou, como a Expresso Alcântara (que servia as linhas SG/Rio que mencionei) e a Floresta (das linhas para Amendoeira e Jóquei). Eram modelos da Bela Vista e da Gabriela II. Há uma foto de um Mauá municipal com o primeiro modelo, alterado com máscara de Gabriela.

Como eu disse, estas duas aquisições serão vistas por mim pessoalmente a curto prazo e poderei fazer fotos próprias delas. Agradeço a Marcus e Matheus por terem feito tais registros dessas grandes novidades.

segunda-feira, 10 de abril de 2017

"Novos" sistemas de ônibus visavam somente copa e olimpíada

Lembram quando foi anunciada a revolução dos sistemas de ônibus pelo país, inspirados no exemplo de Curitiba, que prometeriam modernizar radicalmente os sistemas de ônibus por todo o país? Nos últimos anos verificou-se que o modelo anunciado, que apenas foi implantado parcialmente, sendo aos poucos desmontado. 

Além de empresas se livrarem de carros em configuração avançada, várias obras e implantações se encontram inacabadas ou foram canceladas ou diminuídas. Várias empresas, como a 1001, a São Silvestre e a Pendotiba venderam carros de piso baixo (que chegou a ser anunciado para ser implantado para toda a frota intermunicipal), num sinal de evidente retrocesso. Mas porque assim de repente, todo o avanço prometido começa a ser desfeito?

Raciocinando bem, observando os prazos, percebe-se que toda aquela conversa de que os sistemas iriam ser bastante avançados tinha muito a ver com a copa e olimpíadas, como forma de enganar os turistas para que estes pensassem que os sistemas de ônibus no Brasil eram evoluídos. Com o fim dos eventos, as autoridades e empresários entenderam que não seria mais necessário estes avanços e tudo foi para o ralo, de volta aos desconfortáveis "caminhões" de motorização dianteira. Lembra muito a estória da Gata Borralheira e da carruagem que vira abóbora após o fim da festa.

É um baita retrocesso e uma revelação de que fomos todos enganados, entusiastas e usuários de transportes. cada dia que passa, os sistemas pioram e fica cada vez mais complicado utilizar os sistemas de transporte coletivo. Se não bastasse a utilização de cartões-pegadinha com prazos limitados e processos humilhantes de recarregamento para tentar baratear a sua utilização. Com isso tem-se a certeza de que as autoridades governam para quem tem carro e para felizardos donos de automóveis sempre há todo o respeito a utilização de transporte particular.

Já para quem não possui carro, o direito de ir e vir supostamente garantido de lei, passa a não ter mais valor. No país do golpe jurídico, nenhum tipo de delito praticado por autoridades se torna impossível de se praticar sem punição. O cidadão que se vire se quiser viver com uma precária dignidade.

domingo, 26 de fevereiro de 2017

Os louváveis casos de Aracaju e de Feira de Santana

Encerrada nossa análise sobre que poderá ou não cancelar a sua pintura padronizada pelo país, hoje vamos a dois casos em que houve o retorno da diversidade visual que permite a identificação de empresas por meio de pinturas personalizadas: Aracaju, em Sergipe e Feira de Santana, na Bahia.

Vou também falar um pouco da minha cidade-natal, Florianópolis, que retomou a diversidade visual na década de 90 mas retomou o fardamento no início da década de 2010 com um sistema que cancelou qualquer forma de identificação das empresas, informação secretamente exclusiva nas mãos de autoridades e entusiastas, compulsoriamente omitida para a população.

Porque padronizar a pintura dos ônibus?

Para início de conversa, faço esta pergunta para responder o porquê da intenção da maioria das gestões do transporte em impor o fardamento dos ônibus em cada cidade. A coisa é meio complexa, mas não difícil de entender. Vamos lá.

No Brasil, o sistema de ônibus de cada município se dá por meio de concessão. O sistema em si é público, mas operado por empresas privadas. Já se tentou criar empresas públicas de transporte, mas em todos os casos, até onde eu sei, a iniciativa fracassou. As autoridades encontraram outra ideia para deixar claro a população o fato de que quem está oferecendo o transporte é o poder público e não as empresas privadas, que são apenas operadoras contratadas do sistema.

Como operadoras do sistema de concessão, as empresas atuam como pessoa jurídicas que se tornam funcionárias da prefeitura. E como tais, devem usar uniforme da prefeitura. Em Curitiba, no ano de 1974, no auge da ditadura militar, Jaime Lerner, criador do sistema, decidiu colocar uniforme nos ônibus, inspirado nos veículos militares, com um número do lado e o nome da cidade em destaque. Criou-se a pintura padronizada, onde a empresa perde o direito de expor a sua marca ao público usuário.

Inspirado neste caso, Eduardo Paes, então prefeito do Rio, acreditando no estigma de "melhor sistema" consagrado pela capital paranaense - hoje palco da parcial operação político-jurídica Lava Jato  e cidade onde o fascismo cresce de forma alarmante - em 2010, decidiu implantar a pintura padronizada na frota carioca, dando início a pior fase do transporte na capital fluminense, hoje em séria crise econômica, política e cultural.

Claro que o fardamento não é indispensável. Em 1992, Salvador colocou o logo da prefeitura na pintura individualizada dos ônibus, em respeito à diversidade visual e aos usuários que desejam saber quem opera os ônibus em sua cidade, mesmo que seja em nome da prefeitura local. Ou seja, seria ideal que não houvesse padronização, como um funcionário que só precisa de um crachá para ser identificado como funcionário.

A diversidade visual de Aracaju

Aracaju, junto com a região metropolitana de Sergipe, tem um sistema de ônibus bastante organizado, mesmo tendo uma pintura de frota bastante diversificada. Até poucos anos tinha a pintura padronizada, mas com variação de cor por empresa e destaque para a logomarca de cada uma. Mas hoje, cada empresa tem a sua própria pintura, bem diversa uma da outra. O BRT tem pintura própria, mas destacando o nome da empresa na lataria.

O curioso que para compensar a diversidade visual dos ônibus, os funcionários de qualquer empresa é que tiveram a uniformização padronizada. Todos os funcionários, seja de qualquer empresa, na capital sergipana, usam exatamente o mesmo uniforme, com a logomarca da empresa colocada discretamente.

Feira de Santana: primeira licitação sem fardamento

Feira de Santana pode se gabar de ser a primeira cidade, e por enquanto a única, do país a entrar na nova onda de licitações sem impor um fardamento que destacasse o  sistema em si e não a empresa. Mas quase não iria ser assim.

Adotante da pintura padronizada por muitos anos, no anúncio de sua nova licitação, poucos anos atrás, houve um boato de que a pintura seguiria critério parecido com Curitiba, com cor mudado de acordo com o tipo de serviço. Houve outro boato de que entusiastas seriam os responsáveis por criar as tais pinturas. Não deu nem uma coisa, nem outra.

Com a vitória da licitação, as empresas vencedoras, duas famosas empresas paulistas, Rosa, de Tatuí (que opera fretamento em Niterói) e São João Votorantim, de Votorantim, foram liberadas para colocarem as suas próprias pinturas em suas frotas.

Isso fez com que o sistema de Feira de Santana fosse o primeiro sistema pós-2010 a dispensar da exigência de licitação a imposição de uma pintura criada a pedido do sistema de transportes. A Rosa escolheu como pintura uma alteração leve da estampa que utiliza em Tatuí. A São João Votorentim optou por criar uma inédita, muito bonita por sinal. 

Aliás,a s duas pinturas são lindas, enchendo de beleza as ruas da já bela Feira de Santana. Hoje a cidade baiana segue firme com a sua diversidade visual, permitindo ao usuário o conhecimento das vencedoras da licitação feirense.

Florianópolis - o cancelamento de algo que deu certo

Tem gente que não raciocina direito. Não raramente alguém, com intenções de se igualar a outrem, desiste de uma boa ideia, com sucesso garantido e adota outra, logicamente destinada ao fracasso. Foi o caso de Florianópolis, a capital catarinense, que nos anos 90 aboliu a pintura padronizada para retomá-la em 2011, de forma bastante anti-democrática.

O sistema tem cerca de 5 empresas municipais. Até o final dos anos 80, havia uma padronização visual que, como no caso de Aracaju na mesma época, a cor variava conforme a empresa. Nos anos 90, esta padronização foi cancelada e as empresas passaram a adotar a diversidade visual, cada uma com pintura e logomarcas bastante diversas. Foi um sucesso!

Mas em meados de 2011, nas intenções claras de imitar o sistema do Rio de Janeiro, a capital catarinense resolveu cancelar a diversidade visual e reuniu as empresas em um confuso balaio de gatos chamado "Consórcio Fênix", com uma só pintura, plagiada da cidade paulista de Limeira e sem qualquer forma de identificação de cada empresa, do contrário da padronização encerrada nos anos 90.

Mostra que em prol de um modismo, pode se adotar ideias fracassadas que não ajudam em nada na melhoria do sistema e escondem do usuário que paga tanto a prefeitura (por meio de impostos) quanto o sistema (pelo pagamento da passagem), o direito de se informar sobre as empresas licitadas que operam em sua cidade.

sábado, 25 de fevereiro de 2017

O fim da Padronização Visual Carioca e a Região Nordeste - Parte 2

Hoje voltamos com a segunda parte da postagem que fala sobre os sistemas de ônibus da Região Nordeste. 

Nesta postagem, vamos mostrar se o possível  fim da padronização carioca irá influenciar nos sistemas das capitais dos estados nordestinos alinhados horizontalmente no mapa: Fortaleza, São Luiz e Teresina. 

Sabe-se que nenhuma das três pretendem eliminar a sua pintura padronizada, por causa das características implantadas que podem associar o fardamento ao progresso qualitativo dos sistemas das cidades mencionadas. 

Fortaleza

A capital nordestina pioneira em adotar a pintura padronizada, tendo usado o fardamento da frota por muitos anos, adotou recentemente a sua terceira estampa de padronização, criada pela mesma equipe responsável pela estampa dos padronizados de Niterói, cidade onde eu moro. Sua pintura atual, logo atrás de Rio Branco, é a mais bonita entre as pinturas padronizadas nas capitais do país.

Muito provavelmente ela não cancelará a sua pintura padronizada, que apesar de não oferecer variação - nem o BRT de Fortaleza tem pintura diferente - permite identificação da empresa por meio de logomarca, como acontece em São Gonçalo, vizinha a Niterói. Aliás, é a única das três a permitir a identificação de empresas, já que em São Luiz e Teresina, sequer o nome da empresa aparece em letras pequenas, como é em algumas cidades pelo país.

Um ponto a observar - e isso vale também para as outras duas capitais analisadas nesta postagem - é o que coincidentemente com a pintura, aconteceram uma séria de melhorias bastante significativas nos sistemas. Fortaleza, por exemplo, lançou a ideia de frota 100% refrigerada, meta que está sendo cumprida aos poucos. A renovação de frota tem ocorrido de forma bastante acelerada, sendo a capital nordestina com renovação mais rápida de frota.

Tais fatores de melhoria, mesmo que sejam apenas coincidentes, vieram junto com a padronização visual e ao entender de público e entusiastas, a estampa de pintura ficou associada à melhoria do sistema - do contrário que a do Rio de Janeiro, cuja pintura ficou associada a piora do sistema - o que deve estabilizar a padronização visual.

São Luiz

Dividido em lotes, o sistema, que antes da licitação, era padronizada, mas destacava a logomarca da empresa, testou vários tipos de pintura após a licitação mais recente que foi inspirada no exemplo carioca. Hoje ostenta uma pintura com amarelo-limão pintado em toda a lataria, com destaque para o nome da cidade (característica da maioria dos sistemas padronizados e que é inspirado no exemplo de Curitiba), sem qualquer forma de identificação das empresas pelo usuário.

Apesar de não ter divulgada a intenção de refrigerar a frota, hoje a renovação de frota prioriza carros refrigerados, incluindo carros articulados que operam junto com o resto do sistema - não como um BRT separado do resto da frota. As melhorias também fazem com que a pintura atual seja associada a esse bom momento do transporte ludovicense, o que deve fazer com que a pintura padronizada não seja cancelada.

Teresina

Adotada na mesma semana que foi implantada a pintura padronizada no Rio de Janeiro, a pintura de Teresina não deverá mudar, pelo mesmo motivo das outras duas capitais observadas nesta postagem. 

Com sensíveis melhorias em seu sistema, deve manter a sua pintura, com o mesmo verde que era tradicional na empresa carioca Rodoviário Matias, com faixas verticais de cores que variam com o consórcio e nenhuma forma de identificação das empresas. 

Um carro pintado com prata no lugar de verde está sendo testado em Teresina, mas não fui informado se a pintura mudará para esta estampa, que é mais bonita que a de cor verde. Mas certamente, Teresina não voltará a adotar a diversidade visual, apesar de ter adotado praticamente junto com o sistema carioca prestes a retomar a diversidade visual de sua frota de ônibus.

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2017

O fim da Padronização Visual Carioca e a Região Nordeste - Parte 1

Hoje vamos analisar o impacto do fim da pintura padronizada da capital do Rio de Janeiro nos sistemas da Região Nordeste. Ontem, unimos as regiões Norte e Centro-Oeste porque como eu conheço pouco do sistema das duas regiões, havia pouco o que falar. 

No caso do Nordeste, acontece o oposto. Conheço os sistemas, pelo menos em suas características superficiais, podendo falar alguma coisa a mais sobre eles. Como são muitos estados, decidi dividir em duas partes. 

Imagine a Região nordeste como um "L " de ponta-cabeça. Falaremos da parte que se alinha verticalmente, os estados entre o Rio Grande do Norte e a Bahia. Amanhã falaremos dos que se alinham verticalmente: Maranhão, Teresina e Ceará, que ultimamente tem se comportado de forma peculiar e de forma semelhante entre si.

As capitais do Rio Grande do Norte e de Sergipe não utilizam pintura padronizada, mantendo a diversidade visual em sua frota. O caso de Aracaju será analisado em uma postagem em separado, quando falaremos também da cidade baiana de Feira de Santana, a primeira a fazer uma licitação sem fardamento de pintura.

Salvador

Este estado pode ser falado com bom detalhamento, pois eu vivi por muitos anos no estado. Conheço bem o sistema de lá. Até mesmo sobre o sistema Integra, implantado após a minha saída de lá, tenho condições de falar pois me informei bastante sobre as suas características e conhecendo o sistema que havia antes, conheço também as origens do sistema atual.

Não vou ficar fazendo um histórico sobre o sistema de Salvador, pois essa não é a proposta desta postagem. Mas o que posso falar é que o sistema de Salvador, que se caracterizava em um sistema de lotes, se padronizou, mas em um sistema de três empresas-consórcio, sistema visto em cidades como Macaé e Porto Velho. 

O sistema de empresas-consórcio é bem peculiar. É diferente do sistema de empresas reunidas em um consórcio. A primeira vista não parece diferente, mas o que se nota no sistema de empresas-consórcio é que as empresas originais se extinguem após se reunirem em um consórcio, que passa a atuar como uma empresa, com CNPJ e estrutura próprios. A empresa-consórcio não é apenas um consórcio, como também é uma empresa e num sistema como este, há sim a identificação da empresa e o respeito maior pelo usuário que sabe muito bem quem opera em sua cidade.

Em Salvador são três empresas-consórcio: 
- Plataforma: serve a cidade baixa, parte da região do IAPI e o subúrbio ferroviário. É composto pelas empresas do grupo GEVAN (Joevanza): Joevanza, Axé, Praia Grande e Boa Viagem, que pertenciam a mesma família, mas com membros diferentes como donos. Para compor o consórcio, as empresas foram extintas e absorvidas pela Plataforma. A extinta Capital, que não pertence ao GEVAN, faria parte deste consórcio, pois a sua sede e boa parte de suas linhas tinham a ver com a área.
- Salvador Norte: Serve a orla, o centro, parte da região do IAPI e os bairros limítrofes com o município vizinho de Lauro de Freitas. É composto pelas empresas dissidentes da Vibemsa (Viação Beira-Mar S.A.), extinta em 1991: BTU, Verdemar, Rio Vermelho, Ondina e Central. Há quem chame a empresa de "Nova Vibemsa". A fusão se repetiu na versão metropolitana, fazendo surgir a BTM (Bahia Transportes Metropolitanos).
- Ótima Transportes: Também conhecida como OT Trans, ela opera o "miolo", Cabula, Cajazeiras e áreas próximas. É a única das três empresas-consórcio a não ser formada por empresas de um mesmo dono. Também é ela que receberia duas das empresas que foram extintas antes da licitação: Barramar e Vitral. É composta pelas empresas União (única do GEVAN fora da Plataforma), o grupo Modelo/São Cristovão, Transol e Expresso Vitória. Junto com a CCR, administra a moderníssima Estação Pirajá, localizada estrategicamente entre a rodovia BR 324 e a entrada da região de Cajazeiras.

Apesar do sistema ter surgido na onda da padronização carioca, creio que o fim do sistema na capital do Rio de Janeiro não influirá em nada. O novo sistema de Salvador é complexo, tem características próprias e observo que eliminou uma série de erros que havia antes no sistema de ônibus soteropolitano. Ficará como está, até porque, mesmo imperfeito (renovação de frota lenta, escassez de carros em muitas linhas, ônibus sem conforto e sem ar condicionado), o sistema tem tido muitos acertos.

Recife

Se há um sistema de ônibus do Nordeste a se sentir influenciado pelo sistema do Rio de Janeiro é o de Recife. Com características muitíssimo parecidas com o sistema do Rio de Janeiro (mas sem diferença entre frota municipal e metropolitana, como na Grande Vitória e na RMS de Aracaju, além de ter dois sistemas diferentes de corredores, o SEI e o Via Livre), incluindo o fato de estar em decadência após a padronização visual de sua frota, é bem possível, mas não provável, que retorne a diversidade visual caso o Rio cancele a sua padronização.

João Pessoa

Com padronização peculiar em que não se permite a identificação da empresa, apenas do consórcio - aparentemente a capital paraibana não utiliza o sistema de empresa-consórcio - certamente não se deixará influenciar pelo fim da padronização carioca.

Maceió

Seu sistema permitiu que empresas pudessem ser identificadas através da cor, já que a variação de cor segue critério de empresas, que não foram divididas em consórcios. Isso faz com que o sistema se comporte como se não houvesse padronização visual, o que dispensa o cancelamento do sistema caso o Rio de Janeiro cancele o seu.

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017

O fim da Padronização Carioca: Regiões Norte e Centro-Oeste

Continuamos com a nossa série sobre o provável fim da padronização visual dos ônibus do município do Rio de Janeiro, desta vez mostrando as regiões Norte e Centro-Oeste do país. Porque juntei estas regiões em uma só postagem? Porque sei pouco sobre o sistema dessas regiões e tenho pouco o que dizer sobre elas. E vou falar apenas sobre as capitais que adotam a padronização visual.

Acredito que em todos os casos nestas duas regiões, a influência da volta da diversidade visual dos ônibus cariocas não deve influir, por razões que eu desconheço. Os sistemas tem as suas características e várias dessas capitais já utilizam a padronização visual há muitas décadas, bem antes da adesão do Rio de Janeiro, em 2010. As chances de que a diversidade chegará nas capitais nortistas e centristas do país que utilizam a pintura padronizada nas frotas de ônibus é quase nula.

O que posso destacar aqui é que Brasília adotou uma nova pintura, que mudou novamente após a sua implantação, tirando a meia lua que decorava a pintura, tornando-a praticamente semelhante ao da maioria das cidades do país. Campo Grande e Cuiabá também atualizaram as suas estampas, sem qualquer destaque a dar sobre elas a não ser o fato de que tem alguma beleza.

Na Região Norte, apenas Boa Vista segue com diversidade visual. Manaus e Belém, continuam com a sua padronização implantada por muitos anos. Palmas também tem a sua padronização, após a reorganização das empresas, há poucos anos, pois antes o sistema era desorganizado, como em cidades rurais. 

Rio Branco teve a peculiar atitude de abandonar a pintura mais feia do país para adotar outra. O curioso que a nova pintura é atualmente, a pintura padronizada mais bonita do país entre as capitais, num raro caso em que o pior muda para se tornar depois o melhor. 

Porto Velho tem outro caso peculiar. Adotou o mesmo tipo existente em Macaé e em Salvador: o da Empresa-Consórcio, em que as empresas se fundem para criar outra que também funciona como consórcio, só que com único CNPJ e estrutura de uma só empresa. Ganhou o nome de SIM Porto Velho e a sua estampa destaca o nome da nova empresa. Por não esconder a identidade da empresa, o caso de Porto Velho até pode sr desconsiderado como uma padronização, como acontece nos sistemas de Empresa-Consórcio.

Era isso que tinha o que dizer, afirmando que a implantação da diversidade visual no Rio de Janeiro não irá influir no Norte e no Centro-Oeste, a não ser que aconteça algo muito surpreendente, que tem pouquíssimas chances de acontecer.

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2017

Como fica a Região Sul com fim da padronização visual carioca?

A Região Sul é a região onde culturalmente mais se gosta de padronização. Sulistas adoram padronizar tudo, qualquer coisa. Diversidade chega a dar nojo em muitos sulistas que sonham em uma sociedade homogênea, sem misturas e totalmente uniforme. 

Não é surpresa que a região foi o berço da padronização visual, há mais de 40 anos, ainda na época da ditadura militar, em Curitiba, hoje palco da operação Lava Jato, que deu apoio jurídico para a conclusão do golpe de 2016.

Curioso que a cidade onde eu nasci, Florianópolis - sou sulista, mas adoro diversidade! - tentou, após o período de padronização nos anos 70 e 80, adotar na segunda metade da década de 80 a diversidade visual, com cada empresa tendo a sua pintura própria. Uma coisa louvável e linda de se ver, além de surpreendente, pois a tendência era fazer o oposto. 

Com a decisão do carioca Eduardo Paes, "Floripa" desistiu da diversidade e hoje segue com um fardamento que não é somente chocho, como também é um plágio da pintura de uma cidade paulista, Limeira. A pintura adotada em Floripa não permite a identificação das empresas de qualquer forma. Os passageiros tem que recorrer a secretaria de transportes para cobrar melhorias, o que demora mais para que problemas simples sejam resolvidos.

Vamos analisar como o impacto das mudanças anunciadas para 2017 no Rio NÃO irá influenciar o sistema da Região Sul, que deverá seguir na mesma, até por influência do pomposo e superestimado sistema de Curitiba, consagrado no senso comum como "melhor sistema de ônibus do país", embora não seja de fato, nas palavras dos usuários do sistema.

Grande Curitiba

Cidade inventora da padronização visual, criada na ditadura militar pelo político, arquiteto e urbanista Jaime Lerner - consultor, junto com representantes das elites abastadas, do governo Temer - e inspirada nos veículos militares, com a mais absoluta certeza não será influenciada pelas mudanças sugeridas por Fernando McDowell no Rio de Janeiro.

Graças ao estigma de "melhor sistema de ônibus do país", certamente seus gestores não eliminarão a padronização de pinturas - sem qualquer tipo de identificação de empresas, sendo o único sistema cujo critério de variação de pintura é o tipo de serviço - por achar que faz parte de suas "qualidades". 

Sem renovar a frota com carros zerados desde 2011, a capital curitibana dita as regras da Região Sul e a possibilidade de retomar a diversidade visual de tempos remotos é quase nula, dada a importância que a cidade tem para a estereotipação do que se entende como "transporte de qualidade".

Grande Florianópolis

Apesar de inspirada pelo Rio de Janeiro a retomar a padronização visual, só que de forma mais brutal, sem qualquer tipo de identificação das empresas ou variação de cores, não deverá usar a mesma influência para cancelar a uniformização da frota, dada a influência de Curitiba, que deverá obrigar a capital catarinense a não adotar a diversidade visual. Apenas a frota metropolitana mantem a diversidade visual, algo que não acontece nas outras capitais sulistas, onde até a frota que serve cidades vizinhas é fardada.

Grande Porto Alegre

Adotando a padronização por muitos anos, em 2016 mudou a sua pintura, permitindo a variação de cores por consórcio, inspirada nos times locais de futebol (?!). Houve uma melhoria estética, pois a pintura anterior era uma das mais feias do país (perdendo apenas para a pintura mais antiga de Rio Branco do Acre, curiosamente hoje a capital com a pintura padronizada mais bela, já que também mudou de pintura há poucos anos).

Certamente não irá se influenciar pelas mudanças no Rio de Janeiro pois, além de ter mudado recentemente de estampa de pintura, sua influência maior é Curitiba e dependerá da capital paranaense a decisão de cancelar ou não o fardamento das pinturas de ônibus.

terça-feira, 21 de fevereiro de 2017

O Fim da Padronização carioca e os outros estados do Sudeste

Quando Eduardo Paes quis padronizar os ônibus do Rio, demonstrou de forma sub-entendida, a vontade de se integrar com o resto das capitais do Sudeste, todas com sistema de pintura padronizada, descartando de vez a diversidade visual que além de embelezar o sistema, serve para que os passageiros conheçam as empresas que operam em suas cidades.

Com o anunciado possível fim da padronização carioca, vamos nesta postagem falar sobre as outras capitais e regiões metropolitanas, que provavelmente não cancelarão as suas padronizações, mas por diferentes motivos. Vamos lá.

Grande São Paulo

Com chances quase totais de manter a sua padronização, pois além de cancelar há mais tempo a diversidade visual de sua frota de ônibus, o fez com base em sua fonte de inspiração, o sistema de Curitiba. Eu falei quase totais e não totais. A possibilidade de cancelar a padronização é remota, mas não é nula.

Houve recentemente um anúncio de que São Paulo iria trocar o sistema de consórcios pelo sistema de lotes, como acontece em Salvador. Mas nada foi falado depois do anúncio e ficamos sem saber sobre isso. Até segunda ordem, a padronização será mantida, não dependendo da influência do Rio de Janeiro e sim de Curitiba para algo poder ser alterado.

Grande Belo Horizonte

Caso parecido com São Paulo, também deve ficar na mesma. Influenciada também por Curitiba e adotando a padronização quase simultaneamente com São Paulo, não deverá ser influenciada pela mudança no Rio de Janeiro, a não ser que aconteça algo muito surpreendente.

Grande Vitória

Acredito que também não mude, embora o sistema não dê sinais de que seja influenciado por Curitiba. O sistema da Região Metropolitana de Vitória é similar ao de Aracaju (que, do contrário de Vitória, mantém a diversidade), sem separação entre os sistemas de ônibus da capital e da região metropolitana, o que lhe dá características peculiares. 

Recentemente trocou a sua pintura padronizada por uma mais chocha, descartando uma pintura que estava entre as mais belas do país. Provavelmente deve manter a padronização.

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

O Fim da Padronização e o que poderá acontecer no resto do estado

Em 2010, a capital do Rio de Janeiro deu a largada para a chamada padronização visual dos ônibus. Entusiasta do pomposo sistema de ônibus curitibano, Eduardo Paes decidiu implantar uma só estampa de pintura para cerca de 50 empresas, causando confusão e eliminando a beleza dos ônibus, que eram marca registrada no turismo da capital fluminense.

A pintura escolhida foi uma copia dessaturada da pintura da Itapemirim, feita pelo mesmo projetista, um tal de Ferro, que também criou a pintura da Util. Desde a implantação da pintura, o sistema de ônibus da capital fluminense entrou em grave declínio e hoje segue em frangalhos, junto com a crise que afundou o estado e mais ainda a sua capital.

A nova gestão, com Marcelo Crivella na prefeitura e o engenheiro Fernando McDowell como vice e secretário executivo de transportes, parece que os bons tempos irão voltar. McDowell demonstrou vontade de devolver ao Rio de Janeiro a diversidade visual que identificava e destacava com rapidez e facilidade cada empresa do sistema, favorecendo o interesse de usuários e entusiastas.

Mas o que a gente pensa é o seguinte: em 2010 a adoção ocorrida no Rio se espalhou por outras localidades do país, feito pereba. Será que o cancelamento na capital representaria o cancelamento em outras localidades que adotaram a padronização? Na postagem de hoje, focaremos o estado do Rio de Janeiro.

Niterói e São Gonçalo, cidades irmãs da capital

Cidades próximas da capital fluminense e diretamente influenciadas por ela, as duas cidades estavam entre as primeiras cidades a entrar na onda da padronização de 2010, embora ela já existisse anos antes em Barra Mansa e Volta Redonda.

Niterói, cidade onde eu moro e cujo exemplo aparece na foto ilustra esta postagem, adotou uma pintura de duas cores básicas que ainda é muito elogiada por muita gente sobretudo os entusiastas. Eu particularmente acho a padronização de São Gonçalo mais bonita, mas é uma questão de gosto. A lembrar: a cor vermelha do consórcio TransNit (a TransOceânico usa verde) costuma desbotar com o tempo, perdendo a beleza e deixando o veículo com cara de acabado.

Segundo conversas que tive com alguns entusiastas, é grande a chance de que Niterói cancele a padronização após a decisão carioca. Empresários locais também vão querer ostentar as suas marcas e a pintura diversificada lhes permitia isso. O prefeito em si demonstra estar alheio ao assunto, mas a pressão das operadoras deve favorecer volta da diversidade.

Quanto a São Gonçalo, o mesmo deve acontecer, com chances menores. Pelo menos a pintura aplicada em São Gonçalo parece mais bonita (opinião minha) e imune ao debotamento, evitando a cara de deterioração em carros mais antigos. Além disso, a pintura optou por destacar o nome de cada empresa na lataria, o que diminui os danos pela má identificação das empresas.

Nova Iguaçú, e Campos

Cidades que também entraram na onda, se encaixam em situações peculiares. Campos tinha uma diversidade marcada por pinturas relativamente recentes e de estética marcante. Abriu mão da diversidade por um sistema de poucas cores que destacava a palavra "Passagem Social" ao invés do nome da cidade, o que seria regra na maior parte das padronizações. O nome da empresa aparecia quase ilegível na parte de trás da lateral.

Nova Iguaçú implantou a sua recentemente. Com uma pintura tão bela quando a gonçalense, na minha opinião, a sua única variação é um círculo discreto ao lado do nome do consórcio. Destaca o nome da cidade, mas deixa totalmente ilegível o nome das operadoras licitadas.

Embora as chances não sejam tão grandes quanto a de Niterói e SG de retomar a diversidade visual, elas também não são pequenas vista a importância que as duas cidades possuem, sendo Nova Iguaçú integrante da Região Metropolitana e Campos a maior cidade do estado.

Araruama, Teresópolis, Cabo Frio

Estas três cidades adotaram padrões muito parecidos e são operadas por empresas do mesmo grupo empresarial (grupo Salineira). Como a pintura foi decidida pelas empresas, apesar da imposição da padronização sejam das gestões municipais, pode ser que fique como está ou a pintura sirva de inspiração para a nova estampa de pintura para o grupo empresarial, colocando o nome da empresa ao invés do nome da cidade.

Barra Mansa e Volta Redonda

Estas duas cidades, situadas no Sul Fluminense, por incrível que pareça, não são influenciadas pelo que acontece no estado do RJ e sim em São Paulo, devido a proximidade. Vai depender do que acontecer em São Paulo, que por sua vez segue influenciada por Curitiba. Até segunda ordem, os sistemas dessas cidades continuam sem diversidade visual.

A anunciada padronização metropolitana e a tentativa da Tanguaense

Ao renovar a frota com carros da Marcopolo Torino 2014, a empresa da pequena cidade de Tanguá, próxima a Rio Bonito, tentou esboçar um possível modelo para a padronização da região metropolitana, colocando o nome da empresa como era na capital, antes da padronização e o logo do governo do estado em destaque na carroceria. 

Esta tentativa ocorreu no meio de boatos que sugeriam que linhas metropolitanas que tenham a capital fluminense como destino teriam a sua diversidade visual cancelada. A Tanguaense estaria de fora desta iniciativa, pois não tem linha para a capital. Mas a empesa deve ter decidido oferecer uma sugestão para que o Detro a utilizasse como modelo de pintura para a padronização.

Com o cancelamento da padronização da rota municipal da capital, é mais do que certo que a ideia de padronizar a frota metropolitana, ainda sem projeto definido, será totalmente descartada.